sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Hoje sou aquilo que nunca fui contigo

Hoje traço um caminho sem ti. A tua ausência constante que outrora foi uma punição rancorosa a cada segundo cronometrado com exatidão, hoje, é o maior motivo de felicidade consistente sem falhas e sem manobras de distração.
Hoje, o silêncio arrebatador não passa de uma sombra rasgada e uma passagem desvanecida no meu pensamento.
Os desabafos são cada vez menores, praticamente inexistentes. A liberdade de ti é extrema.
É viciante.
Palavras para quê? A chuva que cai bruscamente transcende tudo aquilo que abdiquei.
O tempo passa mais rápido, e como sabe bem ter todo o tempo do mundo mesmo que seja pouco.
Controvérsias à parte e o teu rasto desapareceu como quem perde o rebentar das ondas do mar.
Rasto que apago do meu corpo vezes sem conta sem qualquer tipo de arrependimento.
Hoje sou aquilo que nunca fui.
Porque, um caminho traçado sem ti, é uma página rasgada, emoldurada para que aquilo que sou, nunca se perca em distúrbios forçados.

Miguel Machado


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Não aguento mais de saudades tuas

Não aguento mais isto cá dentro. Morro de saudades tuas a todos os segundos. Já disse.

Desculpa.
Por tudo.

Se soubesse teria feito tudo de outra forma, nunca tinha duvidado daquilo que realmente era verdadeiro. Era. Agora já não há nada por onde agarrar. Culpa dos dois , mais minha por ter desistido à primeira falha, e à segunda ter dito "não" de vez. Complicada nesse aspeto. Aquilo que vai contra os meus ideais moem-me o juízo. Mas nem tudo tem de ser como idealizamos. Como achamos que tem de ser. E é com os erros que se aprende, e eu aprendi.

Faz parte sofrer. Preferi evitar. Às vezes o sofrimento vale a pena.

No que toca a ti tudo vale a pena.

Agora sofro vezes 1000. Irónico.

Só palavras meio soltas sem qualquer importância. A substituir a vontade de te ligar por elas.

Não vale de nada.

Cheguei a casa e só me ocorre a tua mão nas pernas dela , o teu olhar para ela. O bem que ela te faz e o quão feliz és ao lado dela. Parece boa rapariga e fico contente por isso , não imaginas o quanto.

Sinto-me doida ao não parar de pensar em ti , mas não dá para controlar. Talvez seja só uma fase. Passará , espero. Tudo acaba por passar não é verdade ? Mas por enquanto ainda permanece , e como permanece ...


Alguém disse que o mundo era dos loucos. Eu por ti por incrível que pareça. Mas não dessa forma. Louca por que estejas bem , e pareces estar , quero acreditar que sim , desejo que sim !
É impossível dizer que não magoa , lá no fundo bate. É assim que tem de ser , e eu aguento tudo para o teu bem estar. Acho que já me conformei que assim será, só acho...
Por enquanto continuo a sorrir quando te vejo, amanhã logo se verá ...

O melhor do mundo para ti.

Amo-te

NMHD


Talvez não tenhamos um "para sempre"

Aquilo a que chamam de "para sempre" talvez em nós nunca aconteça.
Aquilo a que chamam de "final feliz" nós apenas ficamos com o final.
Aquilo a que chamam de "amor verdadeiro" talvez só eu o tivesse.
Foi isso que me destruiu: amar alguém que nem a si próprio se amava, quanto mais poder dar-me amor.
Alguém que só se preocupava comigo quando as outras "todas boas" se iam embora e o deixavam.
Alguém que não soube aproveitar tudo o que eu podia dar, era pouco? Era, mas pelo menos era verdadeiro.
Alguém que quando eu mais precisava, se ia embora.
Alguém que me fez crescer da pior forma possível.
É, eu amei esse alguém.
"És tão burra" / " já se sabia que isto iria acontecer" as típicas frases que ouvi quando tudo à minha volta se destruiu.
E tu? O que fizeste? Foste embora pela milésima vez, e eu burra ainda pensei que te irias importar desta vez.
Mas se não te importaste da primeira vez, como poderias tu importar-te na última?
Mas ainda bem que assim foi, se mudei? Muito, para melhor.
Só quero um amor que não vá embora quando faço tudo para o ter perto.
Um amor que não feche a porta à primeira discussão, ou atrito.
Um amor onde possa falar até da formiga que está morta de pernas para o ar.
Um amor sem medo, sem medo do final, sem medo de arriscar tudo.
Daqueles amores como amizades, onde podes fechar os olhos e adivinhar o que vai fazer ou dizer a seguir.
Onde podes fechar os olhos e imaginar que é um sonho, acordar e perceber que não.
Onde podes dizer que aquele sim, é o teu momento de sorte, nem que seja um momento de 5 minutos.
Um amor que não desiluda, que não magoe.
Estou cansada de amores fracos, eles não merecem o meu tempo.
Estou tão cansada que até já desisti desse amor.
Um dia talvez possa voltar a ter forças para o procurar.
Até lá, um brinde a ti que me desiludiste da pior forma.
Um brinde a mim por ter crescido e continuar a ser a boa menina que sou.
E um brinde a ti, meu futuro amor, estejas onde estiveres, não desistas tu também.

Eva Araújo

domingo, 13 de agosto de 2017

Fogos - e os militares?

Não é por nada e simultaneamente é por tudo porque no final das contas é assim que o povo funciona.
Porque na verdade são os chulos da Marinha e do Exército, os  que "não fazem nada", os que ficam com o dinheiro dos contribuintes, os que não fazem falta à sociedade, que recebem chamadas telefónicas às onze da noite ou já mesmo de madrugada com o fim de serem chamados a ajudar os bombeiros, a população, o país.
E sabem  o que esses militares fazem? Não, não ignoram, não desligam o telemóvel e continuam a dormir. Avançam. Avançam sem saber quando voltam, sem saber onde vão ficar, como vão ficar, mas avançam porque é isso que fazem, "é para isso que servem" uma vez que fizeram um juramento.
 Avançam quando é extremamente preciso e quando não é, avançam quando alguém se lembra em situações apertadas, quando são chamados independentemente da hora e do contexto,  mas para tudo isso acontecer de forma rápida e eficaz, têm de ser e estar peparados, têm de ter formações, têm de praticar e exercitar, o que leva tempo e desgaste (bastante!) mas isso é o que ninguém valoriza. Isso é chulice, é um desperdício de meios e fundos, é um deixa andar, são umas "boas vidas". Só que não meus amigos...
Ps: E o mais triste, é que agora isto não vai servir de nada porque o país está numa situação sensível e vai ser só mais um texto, mas quando isto finalmente passar, (e esperemos que seja rápido!) também vai continuar a servir de nada...

Joana Rita


sábado, 5 de agosto de 2017

Mudar de país não é fácil

Não é fácil criar coragem e desfazer as amarras. É fácil fazer as malas, comprar uma passagem e seguir o seu destino rumo a um outro país. Difícil é aceitar a nova realidade durante esse tempo, aceitar o fato de que você não pertence ao local em que viveu a maior parte da sua vida.
Porque ao partir é preciso estar preparado para se reconstruir, para aceitar que é chegado o “agora ou nunca”, a hora de se encontrar, se conhecer e definir quem você quer ser mesmo já sendo bem crescido. É preciso ter coragem para se desfazer das frescuras, de alguns hábitos, criar asas fortes que te ajudem a dar um dos voos mais importantes da sua vida. É preciso se desfazer de preconceitos e aprender de uma vez por todas o significado do respeito. 
Mudar de país é, quase sempre, fugir de alguns problemas, e então, se ver cercado por mil outros. É viver numa montanha-russa quando se tem medo de altura. Os primeiros meses trazem a mesma sensação da subida: empolgação, felicidade, orgulho de estar lá. E então, a gente acorda certo dia e percebe que reconstruir a vida não é tão lindo quanto parecia, é difícil, desgastante, cansativo. Mas a gente está lá no topo; o investimento foi caro, os seus amigos, a sua família, todo mundo que não veio está lá, te observando de longe. Não dá para desligar a máquina, você não tem coragem de pedir para descer. Você sorri e esconde o desespero. Fecha os olhos e vai. Com medo e sem saber se vai dar certo.
Alguns desistem após a primeira descida. Outros se acostumam com a adrenalina e resolvem continuar. Porque nada melhor do que descobrir que você é capaz.
Morar fora não é reconhecer os seus limites, é esticá-los um pouquinho mais, dia após dia. É descobrir que você pode ir muito além. É ralar para ser reconhecido onde você é apenas mais um e reconhecer que ser apenas mais um pode ser muito para quem chegou a ser ninguém.
Morar fora é dar luz a um novo “eu” , é ser mãe e pai de sí próprio. É sofrer para se criar sozinho e ter orgulho do adulto que você recriou. É aceitar que você jamais será o mesmo se um dia decidir voltar para sua terra.

Autor desconhecido

Quanto mais tempo tu estiveste solteiro, mais bem-sucedido será o teu relacionamento

Se tu não te conheceres a ti mesmo, como poderás saber o que queres?

Querer estar num relacionamento com alguém não é o mesmo que estar pronto para estar com alguém. Estas são duas coisas totalmente diferentes. Às vezes queremos estar com alguém por motivos errados e nós já sabemos como isso pode ser desastroso. Por outro lado, estar pronto para estar num relacionamento significa que chegamos a um estado em que não duvidamos de nós mesmos e que nos conhecemos na perfeição. Se formos honestos, isso é algo difícil de obter e que por isso leva tempo.
Talvez tu te estejas a perguntar como podes alcançar este estado e eu não sei se a resposta é a que te vai agradar mais. A única maneira é estando solteiro, completamente sozinho, e dando espaço para usar essa solidão como uma ferramenta para nos conhecermos melhor. Nós muitas vezes evitamos este processo de aprendizagem valioso pelo simples facto de ele que é assustador. No entanto, enquanto não fizermos esta viagem interior necessária, não é muito provável que tenhamos uma relação satisfatória e bem-sucedida.
Se tu não te conheces não podes saber o que queres, e se tu não sabes o que queres podes acabar em situações confusas que te poderão prejudicar. Tu podes estar a pensar que eu estou a exagerar e que tu não precisas ficar sozinho para te conheceres, mas a verdade é que sim. Quando estás numa relação é necessário chegares a acordo, tendo em conta as opiniões ou desejos de outra pessoa e, sobretudo, chegar a pontos intermédios. Não que isso seja ruim, mas conheceres-te a ti mesmo requer somente prestares atenção à tua existência, algo que não pode ser feito quando tu estás com alguém.
Quando tu te conheces a ti mesmo, não só aprendes o que queres e o que não queres, mas também compreendes a tua própria definição de compromisso e a ideia que tens de um relacionamento. Além disso, tu aprendes a ficar sozinho e compreendes que isso não é algo necessariamente mau ou deprimente. Na verdade, estar solteiro não tem nada a ver com sentir-se sozinho. É por isso que as pessoas que passaram por longos períodos de solteirice são os melhores candidatos para relacionamentos bem-sucedidos. Não só elas projetam e atraem exatamente o que elas querem numa pessoa, como também não têm medo de se mostrar como são, porque elas sabem que são suficientes. Elas não procuram a aprovação, ou alguém que vai confirmar a sua existência, só procuram um parceiro para viver a vida.
Quanto mais tempo tu estiveste solteiro, mais tempo terás passado a conheceres-te e a compreenderes-te a ti mesmo. Terás tido mais tempo para criar o teu caminho, para viver a vida que tu queres e para entender que tu não precisas de alguém que te complete: tu já és uma pessoa inteira e completa. É por esta razão que estas pessoas são as que estão melhor preparadas para finalmente ter um relacionamento bem-sucedido e cheio de amor: eles não procuram replicar padrões de co-dependência e não têm expectativas sobre o que o amor pode ser. Vivem a vida livre, sentem-se seguros, porque eles sabem que eles já têm tudo o que precisam dentro de si. E então, estás pronto para começar esta viagem?

Teresa Donoso

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Não existe mulher que "dá". Existe mulher que faz quando quer!

Entende uma coisa: Não existe mulher que “dá” no primeiro encontro.
Existe mulher que faz sexo quando está com vontade.
Ela não te “deu”. Ela nunca te pertenceu. Então não venhas com essa de “ela deu pra mim”. Porque na verdade, ela não foi tua. Ela não conta primeiro, segundo ou terceiro encontro. Ela valoriza os momentos. Ela valoriza as conversas. Os sorrisos. Os olhares.
Ela valoriza aquilo que desperta vontade. Aquilo que desperta tesão em viver. Se ela fez sexo contigo, é porque ela quis.
Não penses que ela faz sexo com todos. Ou pensa se quiseres. Até porque isso não é da tua conta.
Tu não a “comeste”. Ela ainda está inteira. Ainda ri de coisas parvas na TV. Ainda lê um livro antes de dormir. Ainda sai com as suas amigas no sábado à noite. E almoça na casa dos pais no domingo.
Tu não a “comeste”. Porque gente não se come. Gente sente-se. Ela não saiu por aí a gritar para todos o quanto o vosso momento a sós foi bom ou mau, ou o quanto tu foste grosso com ela. Ela não precisa dividir isso com ninguém. Então porque é que tu precisas?
Para te sentires mais “macho”?
Para te sentires mais “homem”?
Não rapaz.
Ela não é metade do que tu pensas. Ela é tão extraordinária, que nem cabe dentro dos teus pensamentos. Ela não te ligou, nem estava à espera que tu lhe ligasses. Ela não precisa da tua aprovação. Ela não precisa saber se foi bom para ti. Porque se tiver sido bom para ela, ela vai fazer acontecer de novo.
Não, ela não estava bêbada. Nem drogada. Ela fez porque quis. Porque estava a fim. Quando ela se arrumou naquela noite, ela já sabia que seria para enlouquecer. Ou para enlouquecer alguém. E podes ter a certeza que tu não a enlouqueceste. Tu não a ganhaste na tua conversa fiada.
Ela foi porque estava a fim. Porque ela te escolheu. Não saias por aí a dizer que tu a ganhaste. E que tu a ganhas à hora que quiseres. Ela não te viu como um pedaço de carne. Ela não vê ninguém assim.
Ela gosta de conexões. Nem que seja só por uma noite. Ela gosta de se sentir ligada à alma de alguém. De sentir o calor. De olhar nos olhos. De sentir prazer físico e emocional. E se ela te achar vazio demais, não vai rolar de novo.
Tu podes rezar. Implorar. Mandar flores. Mas ela é decidida. Tem personalidade forte. E no dia em que ela se casar, vai ser com um homem de muita sorte.
Porque de todas as conexões que ela teve, aquela terá sido a mais forte. Ele terá sido a alma que ela escolheu. E os dois serão eternamente enlouquecidos, um pelo outro.
E tu?
Ah, rapaz. Tu vais continuar a perder tempo. A falar por aí das mulheres que tu achas que comeste. Vais continuar a perder tempo a achar que ganhaste alguém. Tu vais acabar sozinho. Porque nunca te soubeste conectar.
Nunca soubeste sentir a alma de alguém.

Helena Ferreira

domingo, 30 de julho de 2017

O amor vai encontrar-te

Tu passaste por mais uma historinha que tinha tudo para ser a definitiva, mas que por algum motivo não deu certo e agora não queres mais saber de amar, não é?
Hoje tu sais por aí dizendo a quem queira ouvir que o teu coração está trancado, que a tua capacidade de amar secou como uma folha no outono e que não há quem te convença a te abrires novamente. Tu és um caso perdido para o cupido. Tu és uma casca vazia dos sentimentos que um dia te habitaram. Tu és só o que sobrou de quem tu eras antes.
Será mesmo?
Eu sei como é. Sei como é decepcionar-se tão profundamente que na procura de culpados, até o pobre do amor parece o vilão perfeito. Sei como é perder as esperanças, a fé e a capacidade.
Mas também sei como é reencontrá-las alguns passos adiante.
Deixa eu dizer-te uma coisa. Eu, tu, e todo o resto do mundo, possuímos uma predisposição natural para o amor. Podemos não saber muito como esse lance do coração funciona, mas a nossa capacidade sempre estará lá. Latente, acesa, viva, dentro de todos nós. Esperando uma brecha, uma chance, uma oportunidade de acontecer de novo. E de novo, e de novo, e quantas vezes for preciso.
Não adianta negar. Ela está dentro de ti também. E sempre estará.
A chama do amor que queima dentro de ti, ninguém pode apagar. Nem tu mesmo.
Não adianta amaldiçoar o amor. Ele é imune a decepções momentâneas.
Porque nós gostamos de amar. Nós gostamos de filmes, de músicas, de histórias de amor. Nós gostamos da saudade, do abraço, do carinho e dos beijos. Nós gostamos das palavras, das declarações e dos emoticons no final da mensagem. Nós gostamos de nos emocionarmos, de sentirmos, de corarmos. Nós gostamos de viver de amor e de morrer por ele também. Nós gostamos do amor até mesmo quando ele não gosta lá muito de nós.
Dói ter que levar cada sonho, cada plano e cada expectativa para o saco do esquecimento. Eu sei que dói. Recomeçar não é fácil. Mas ninguém disse que seria.
Só que apesar de difícil, a dor não é eterna. Não há ferida aberta que não se feche. Não há dor que a ventania do tempo não consiga levar para longe. Não há passado que não passe.
E quanto antes tu aprenderes isso, mais depressa abrirás mão dessa dor que agora tu cuidas, crias, alimentas e te recusas a deixar ir embora.
Tu estás a dar importância demais a só mais uma das dezenas de outras histórias de amor que farão parte da tua vida. Tu estás a prender-te a algo que tu não sabias, mas estava desde o início destinado a ser passageiro. Tu estás a segurar essa dor no peito como se segurasses o amor que foi embora. Mas desse amor que um dia queimou, não restou mais nada. Só a fumaça. E ela é tóxica. Então é hora de abrir as janelas, a porta, a vida e o coração.
Liberta-te dessa dor. Logo atrás dela vem uma nova fornada de amor, quentinha, recém saída do forno. Vai lá provar, vai! Quem sabe o gosto desse amor não é ainda melhor do que o anterior? Quem sabe esse amor não é ainda maior, ainda mais vivo, ainda mais completo e real?
Não precisas de te atirar de cabeça se não quiseres, claro. Mas bota os pézinhos nessa água. O medo irá embora conforme a vontade de mergulhar for chegando. E não te preocupes. Ela vai chegar. Pode até demorar, mas uma hora ela chega.
Confia em mim. Eu sei do que falo.
E sei também quando te digo que por mais que tu não estejas a procurar pelo amor, ele está sempre procurando por ti. E uma hora ele vai encontrar-te. E quando te encontrar, não há volta. É uma viagem só de ida.
Então é melhor deixares já as malas prontas na sala, porque o amor está a chegar.
E ele não bate à porta. Ele arrebenta. A porta, a sala, a casa, tu.
Ele arrebenta para construir tudo de novo. Numa versão ainda melhor, ainda mais forte, ainda mais sábia, ainda mais completa, ainda mais resistente e ainda mais capaz de amar.
Porque só o amor cura o amor.

Marina Barbieri

Hoje preencho o teu vazio com os meus sonhos

Hoje estou sozinha. Hoje estou mais calma. Hoje estou mais livre, mais leve, mais solta.
Hoje estou um bocadinho mais tranquila porque percebi que acordei feliz mesmo sem ter um alguém ao meu lado na cama. Que conseguia me libertar do mau humor matinal mesmo sem ter uma mensagem de bom dia… aquelas que outrora eram das poucas coisas capazes de quebrar o tédio matinal daquelas longas viagens de autocarro, antes de mais uma manhã de aulas.
Reparei que já não preciso remexer na caixinha de recordações e pegar nas tuas cartas (as quais ainda guardo com muito carinho), e lê-las na esperança de conseguir aquecer o meu coração para combater aquele frio que me envolvia numa solidão sem fim nas noites frias de verão. E acredita, não foram poucas.
Mas, gradualmente, fui-me livrando de todos esses maus e velhos hábitos que me prendiam ao nosso passado e não me deixavam prosseguir. Os que não me deixavam viver. Os mesmos que me deixavam amedrontada sempre que pensava num futuro sem ti.
Minto se disser que já não penso em ti, que já te esqueci. Enganava-me a mim mesma, caso o fizesse. Mas não te preocupes, não recordo os maus momentos. Esses, faço questão de barrar à entrada do meu consciente. E quanto aos bons… Apenas digo que não posso controlar o meu subconsciente.
Porém, essas memórias já não me deixam com as mesmas incertezas que tinha há uns tempos quando considerava traçar o meu percurso com apenas um par de pegadas.
Agora sou só eu. Quando me deitar só vou sentir a minha respiração. Quando me sentar no sofá naquelas tardes de Inverno, só irei encontrar calor naquela manta que antigamente não precisava usar. Quando estiver doente, já não vou ter ninguém para me mimar nem massajar a barriga, com toda a paciência do mundo. E quando estiver com medo, já não te vou ter sentado ao meu lado na cama a acarinhar-me, como sempre fizeste, à espera que adormecesse para poderes finalmente ir para casa descansar, como merecias.
Sei que no fundo sempre irei sentir a tua falta e que sempre te irei guardar no melhor cantinho do meu coração, porque nunca vou negar o amor que ainda sinto por ti.
Mas hoje posso dizer que já não preciso de ti para ser feliz.
Hoje estou sozinha mas acompanhada por toda a garra e ambição que carrego para atingir os meus objetivos. Hoje preencho o teu vazio com sonhos.
Hoje, a minha alma agradece-me por ter finalmente encontrado o equilíbrio entre a paz e o amor-próprio.

Joana Nobre Anjo

sábado, 29 de julho de 2017

Mereço mais do que tu me dás

Durante todo este tempo tive medo de te perder e não percebi que me perdi. Perdi-me de mim, das coisas que acredito, que sei que são certas e das coisas que mereço.
Talvez tu nem sejas uma má pessoa, mas faz-me mal viver nessa eterna esperança de que uma hora será a minha vez. Essa vez nunca chegou e nunca chegará, e mesmo que tu me dissesses AGORA que a partir deste momento tu me darias o que tanto quero, eu não iria aceitar. Não iria, porque não se trata do que eu quero, mas do que mereço.
Eu só queria ter-te ao meu lado, que fôssemos um casal feliz, que tu me assumisses. Mas merecer, eu merecia tudo isso e muito mais. Muito mais do que ligações escassas e tardias, ao final da noite, quando é notório que só me ligaste porque não conseguiste nada melhor para fazer. Muito mais do que “eu adoro o teu jeito”, como se isso quisesse dizer o que eu realmente gostaria de ouvir. Muito mais do que um “:D” quando eu falo de ti com carinho numa rede social. Eu mereço ser alguém que outra pessoa tenha orgulho de apresentar à família e aos amigos, que alguém tenha orgulho de dizer: “Este(a) é o meu parceiro(a), é o meu amor”. Mereço ouvir “Eu amo-te” antes de desligar o telefone e mereço respostas e postagens calorosas para dizer o quão feliz e bom é estar ao meu lado.
Não é pedir demais que nós queiramos receber pelo menos uma parte daquilo que também damos aos outros. Porque a reciprocidade é essencial. Qualquer pessoa quer e merece ser chamada de namorada/o, de “mor”, de “minha”/”meu”, não no sentido da posse, mas no sentido de proximidade, e quer poder dizer exatamente o mesmo, também nesse sentido.
Não te culpo por nada. Nem a mim. Na verdade, pouco importam as culpas, porque o que mais quero é encontrar alguém que não me considere apenas uma pomba de praça, para a qual tu atiras migalhas, para me veres perto. E de nada adianta eu ficar por perto porque, quando quero aproximar-me um pouco mais, tu bates o pé para me veres voar de forma amedrontada. Tu não me queres. Por conta disso, acho melhor eu voar para outros locais, onde entendam que eu não quero nem preciso de migalhas como atrativo. Quem vier para a minha vida que venha por inteiro, se quiser permanecer.

Thatu Nunes

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