A culpa não foi tua

Talvez eu devesse ter "pulado" fora ainda no começo. Existe sempre aquele instante, aqueles poucos segundos antes de nos mandarmos do precipício, em que quase damos meia volta e desistimos do pulo. Eu devia ter desistido por ti. Ouviste bem? Eu devia ter te poupado da confusão que eu trazia. A vida desarrumada que eu ainda trago.
Sei que não se devia pedir desculpa pelo amor, mas acho justo pedir desculpa pelo que uma pessoa faz com o amor. Desculpa ter feito pouco caso do amor que tu sentias. Desculpa por ter achado que mentias – do começo ao fim.
Não foste tu. Entendes isso? Foi culpa dos que passaram. Das feridas abertas sem dó, das cicatrizes, das quedas, das decepções. Foi culpa do meu passado meio torto, das ruas em que me meti, das vezes em que dei de cara com o chão.
Mas não foi culpa tua.
Fui eu e as minhas imperfeições. Fui eu e meus medos. Fui eu e as minhas memórias, e as mentiras que me contaram, e as histórias mal acabadas que eu acumulei, e os pontos finais que eu esqueci de colocar. Fui eu e esta minha mania idiota de achar que, no fundo, vocês são sempre todos iguais. E vocês não são. Ao menos tu não eras.
Foi culpa minha te perder.
Culpa deste meu medo do amor e deste medo de amar – e me deixar ser amada.
Fui eu.
Desculpa não ter pulado fora enquanto era tempo. Desculpa ter feito contigo o mesmo que fizeram comigo. Desculpa por ter sido eu a que quebra, a que fere, a que mente, a que não sabe amar. Desculpa o meu passado, mas desculpa, principalmente, por eu ter deixado que ele influenciasse o nosso presente.
Desculpa.
Eu juro, juro mesmo: não te queria ter magoado .

 Karine Rosa

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