O teu poder de me tirar do sério

É incrível o poder que tens de me tirar do sério. De me tirar o juízo. De me deixar com desejo.
Eu até queria dizer não, mas, para ti, simplesmente não consigo.

Começa sempre com um beijo. O nosso beijo. Aquele encaixe único. O nosso encontro de almas através do simples toque dos lábios. E quando eles se encontram, a magia acontece. E eu sei muito bem como acender a tua chama. Uma mão firme na cintura passando os dedos por dentro da blusa. A outra a passear até à tua nuca e, em seguida, completo com aquele puxão de cabelo. Está aberta a porta do paraíso. É quando sinto despertar o teu fogo. A respiração começa a descompassar e os teus dentes cravam delicadamente os meus lábios. Retiro-os caminhando lentamente pelo seu rosto. Beijando, mordendo e arrastando a barba devagar. A tua mão já está a lutar contra os botões da minha camisa. A minha mão firme na tua cintura também já encontrou a tua pele. Toda arrepiada. Neste momento os nossos perfumes já se misturaram e, quando chego à tua orelha, percebo o restante do teu autocontrole a escapar com os suspiros. E então tu começas a descer devagar. Desces enquanto me olhas com aquela cara que eu gosto, e já sei onde tu vais chegar. E chegas. E como chegas! E tiras as minhas calças quase sem usar as mãos. E aquela mistura de língua, mordida, sucção e carinho que me faz delirar. Quem faz porque gosta, faz bem feito, e tu sabes fazer como ninguém.

De repente estamos entrelaçados. Termino de retirar as tuas calças e subo passando a língua por todo o teu corpo. E agora é a minha vez de brincar e de te deixar maluca. Eu sei que tu gostas. Da língua e das palmadas. Subo a mão até à tua boca para tentar conter os gemidos. Os meus olhos buscam os teus, que agora, parecem girar em órbitas de delírio. Nós dois deitados. As roupas espalhadas pelo chão. E a cada posição sinto como se conhecesse melhor o teu corpo.

O nosso fogo sobe em labaredas que parecem clarear o próprio céu. A habilidade de sentir prazer dando prazer ao outro. O suor a escorrer. O sorriso nos lábios. Eu já me tinha esquecido como é bom ter-te. Uma pena que esta seja a única parte em que nós funcionemos tão bem. Sejamos racionais. Façamos só mais duas ou doze vezes e, depois, cada um segue a sua vida. Recaídas não são recomeços. Só não me venhas com aquele beijo novamente.

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