Levanto-me todos os dias

Sonho. Sonho mesmo. Muito, por sinal.
Gasto as horas do meu dia, os dias da minha semana e cada segundo de intervalo, a pensar no futuro. No que ainda está por vir. Sou o que chamam por aí de – sonhador profissional. Aquela criatura que precisa nadar, com todas as forças, contra a maré baixa que se instalou nos dias. Contra tudo que insiste em se estagnar, parar, não acontecer. Tudo o que resolveu não vingar.
Deposito, também, nas minhas sementes que lanço por aí, todos os dias, a esperança de que as árvores que ainda nem deram frutos, me alimentem, sobretudo a alma, amanhã ou depois, daqui a dois meses. Três anos. 
Levanto-me da cama, todo o santo dia, porque o ontem não foi suficiente para realizar todas as minhas vontades. 
E, como não sou de ferro, porque me deixei cair em tentação esta madrugada: quis coisas novas. Coisas até que já quis antes, mas ainda assim, não realizadas. Talvez, este seja o mistério pelo qual ainda vivemos: queremos, a cada amanhecer, uma porção ainda maior de coisas do que as queridas no dia que passou. 
E enquanto realizamos alguns sonhos, sonhamos mais. A roda não pára. Também, do que vale viver se não for para sonhar/alcançar?

Matheus Rocha

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