Desculpa se tenho menos, e mesmo assim sou mais rico…


Era um dia como os outros, levantei-me e como estudante que sou, fui para a minha faculdade de Psicologia. Não há caminho mais triste que este, estou constantemente rodeada de pessoas, que parecem ser obrigadas a mover-se, quase que forçadas a respirar, não existe vida nos seus olhos. Depois existem aqueles com demasiada vida na sua alma, acorrentados pelas mágoas suportadas pelos seus ombros.
No momento em que comecei a sair do meu próprio mundo, levei uma chapada da realidade.
Nunca me tinha apercebido que são tantos, ou mais, aqueles que lutam por se alimentarem, do que aqueles que realmente comem.

Há quatro meses que faço esta viagem, todos os dias, e não há um único dia em que não me choque com o desprezo das pessoas ao passarem por aqueles que a sociedade excluiu, que antes de serem indigentes, são seres humanos com sentimentos, com uma história, tal como nós, e que muitas vezes são mais ricos não pelo que possuem, mas pela sabedoria que guardam. Na minha inocência, era de esperar que estudantes de Psicologia, como eu, amantes da mente, compreensivos da vida, movidos através da compaixão pelo outro, reagissem. A minha ingenuidade engana-me. Passam como se estes fossem os fantasmas da sociedade, com medo que os assombrem através do olhar. Quem sabe se não seremos os próximos indigentes da nossa rua, da nossa cidade? Quem sabe se a sociedade um dia não decide abandonar-nos?

Eu própria admito que já hesitei em ajudar, com medo da mentira e da desonestidade, pois sei que são muitos os que necessitam, mas tantos outros que se aproveitam. Não sou tão ingénua ao ponto de pensar que tal não acontece, mas se abandonar a minha fé, o que me resta? Qual é o futuro da humanidade sem fé? Tenho que ter fé nos outros para que eles possam ter fé neles próprios. Até posso ser enganada, mas essa mentira nunca será maior do que aquela que os desonestos dizem para eles próprios todos os dias, quando pensam que a mentira os satisfará. Até pode saciar a sua fome de materialismo, mas nunca a sua sede de felicidade. Eu estou consciente do que sou, e obtenho tranquilidade no que me tornei. Posso dizer que tudo o que tenho consegui-o porque mereci, e o sabor dessa conquista, vale mais do que qualquer batalha oferecida.

How I see the world

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