Perdeste-me


Perdeste-me.
Perdeste-me como quem perde uma criança no shopping, do nada, onde os olhos são postos em todas as montras e a perdes de vista.
Perdeste-me como quem está a sonhar e acorda e já não consegue sonhar o mesmo.
Perdeste-me como quem perde um passe, ou um bilhete no autocarro.
Perdeste-me como quem vai a correr para o metro e não o apanha.
Simplesmente perdeste-me porque não estavas atento , não viste por onde eu andava enquanto me perdia no meio do shopping
Perdeste-me porque não soubeste guardar imediatamente o passe ou o bilhete na carteira.
Perdeste-me porque não estavas a horas na estação do metro.
Perdeste-me porque és burro.
Sim burro, perdeste-me por desleixo teu.
Perdeste-me no meio do vazio, da mágoa, da monotonia.
Perdeste-me porque não deste valor.
Perdeste-me porque não leste mentalmente os meus sinais.
Perdeste-me porque não estavas atento.
Exatamente isso, perdeste-me porque olhaste apenas por ti abaixo e não foste capaz de ver o sofrimento no meu silêncio.
Perdeste-me porque foste um perdedor.
E agora que me perdeste, desejo-te apenas uma coisa.
Que te encontres, sim, encontra-te como eu me encontrei.
Encontra-te seja sozinho ou acompanhado.
Mas encontra-te.

Índia Lopes

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