A história de uma menina que foi traída pelo cúpido


Existem os mais variados tipos de histórias, aquelas que nos fazem rir, aquelas que nos fazem chorar, aquelas que não prendem a nossa atenção, aquelas que queremos continuar ouvir mesmo que demorem eternidades a ser contadas, aquelas que nos assustam e que nos fazem acender, de noite, as luzes todas da casa por termos medo que algo nos faça mal ainda que saibamos que nada vai acontecer, entre tantas e tantas outras, tão diferentes entre si, mas todas elas com uma lição importante para o nosso futuro… A vida é feita dessas histórias, em que umas vezes somos as personagens principais, outras somos meros figurinos e noutras somos aquelas personagens secundárias que aparecem e que fazem mudar o rumo da história, mas que ainda assim não tardam a desaparecer sem que se dê conta. O que vou passar a contar foi nada mais, nada menos, algo que mudou a minha vida, quer seja pela forma como alterou a minha maneira de encarar os problemas, quer seja pelo significado que deu a algumas palavras do meu dicionário, quer seja pelos mais variados sorrisos que me arrancou ou até mesmo pelas lágrimas que nunca julguei vir a derramar!

Esta é a história de uma menina que viu fugir um grande amor, uma menina que sofreu de mil e uma maneiras por não ter tido coragem de exprimir os seus sentimentos a quem amava, uma menina que apesar do tempo ter passado e de novas paixões terem chegado, nunca mais foi capaz de esquecer aquele rapaz louro, de olhos claros, que mora do lado de lá da Europa e de quem ainda hoje tem fotos penduradas na parede do quarto, uma menina que já não é mais menina, uma menina que já é mulher… Tantas foram as noites que ela chorou por saudade, tantas foram as lágrimas que ela derramou por o peito doer tão intensamente, mas ela é forte e com o tempo foi domando a dor e foi tentando apagar o sentimento que a desolava, mas há coisas que por muito que se tente controlar não desaparecem só porque o desejamos e o amor é uma dessas coisas! O amor verdadeiro, aquele que nos faz acelerar o ritmo cardíaco, aquele que nos coloca dias inteiros a pensar numa só pessoa, aquele que nos faz sorrir só por ver a pessoa que amamos sorrir, aquele que nos faz sentir vivos, não se despreza só porque a razão quer, pois o coração também manda e quando os dois estão em desacordo, nós estamos numa completa balbúrdia, nem conseguimos pensar direito! A menina da história foi mais uma vítima deste mal de sentir tão intensamente, contudo ela pensava já ter ultrapassado tudo isso e é aí que eu entro nesta história.

Inicialmente como mero figurino, entrei na vida desta menina e o desejo de nunca mais sair dela foi-se instalando rapidamente, sem se perceber muito bem como, talvez pelo facto de partilharmos os mesmos gostos e as mesmas paixões a relação que se começava a estabelecer crescia e criava novos laços de dia para dia. Com o passar do tempo, e após conhecermos os fantasmas que estavam escondidos nos armários de cada um, algo fantástico estava a nascer ali, uma relação de amizade verdadeira e ímpar, algo que não se vê aí ao virar da esquina, algo que eu tencionava preservar para a vida. Quando dei por mim, já tinha sido vítima do cúpido, algo que eu de certa forma temia por não querer estragar aquela amizade que tinha tudo para durar até a eternidade, mas com o tempo lá fui perdendo o medo e fui contando à menina desta história o quanto a amava e o quanto a queria fazer feliz. A resposta que ouvi da sua boca era que o sentimento era recíproco e que ela também me queria ver na sua vida para sempre… Nesta altura já me sentia personagem principal desta história, completamente apaixonado e sem medo de lutar pelo destino, embora soubesse dos inconvenientes dos cerca de 200 km que separavam os nossos lares, as nossas famílias e, de certa forma, as nossas vidas. Nada importava, pois quando se ama luta-se afincadamente em prol da felicidade de quem amamos, independentemente do que tenhamos que sofrer num futuro imediato, pois a longo prazo todo o esforço valeria a pena. Foi bonito enquanto durou, mas todo o “para sempre” sempre acaba e a minha história não é exceção! Doeu aos dois, afinal quem gosta de desistir? Mas a verdade é que eu sabia e tinha completa noção que o lourinho ainda estava bem presente no coração da menina e ela não conseguia ultrapassar o trauma que havia conquistado devido à distância que já a havia desiludido no passado. Não a podia crucificar por algo que ela não controlava, mas o tempo foi passando e ela cada vez mais se foi afastando de mim, recusando até a minha amizade ou qualquer outra coisa vinda de mim, aliás, apenas queria distância e aí eu senti-me nada mais, nada menos, que aquelas personagens secundárias de que falei no início deste texto…

O coração ficou com danos irreparáveis, ferido, magoado, cortado incisivamente pela dor que teima em não cair no esquecimento. Não condeno ninguém, apenas custa todo este sofrimento… Ainda assim, tudo isto trouxe-me uma verdadeira lição de vida:

Não digas a ninguém que amas se não for real, não ouses magoar um coração só porque o teu está ferido, não cries demasiadas expetativas num futuro que rapidamente se pode desmoronar mesmo à tua frente! Vive cada dia como se fosse o último e nunca deixes fugir quem realmente te ama de verdade, pois essa pessoa nunca te deixará mal, sempre lutará para te fazer feliz independentemente de tudo o que esteja escrito no destino, pois o amor verdadeiro não desvanece, mas ainda assim não cries expetativas, apenas aproveita a vida, pois ela é curta e amanhã pode ser tarde…

Alexandre Valério

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