Sei que gostas


Não vejo nada, acende a luz - disse mal entrei naquela sala ja tão quente, de um calor que seduz. Nem a cumprimentei e de repente estou sentada numa cadeira que não vi. Senti uma mão pelas costas, um toque fugido.

"Sei que gostas", disse-me suavemente ao ouvido. "Relaxa, podes descontrair" - e uma faixa sobre os meus olhos acaba de cair. A luz acende, a tesão ascende. Não vejo nada, não é para ver. Usufruo do tacto, procuro o contacto já que perdi a visão e quero sustentar esta tesão. Brinca mais com o fogo, provoco com desdém quando a sinto ao meu colo enquanto me faz sua refém e me trinca o pescoço, prende-me os pulsos na esperança de controlar os meus impulsos. Talvez em vão, num só segundo seguro-lhe o corpo com as pernas tira-me a venda empurra a cadeira e segura-se ao varão. Observa, ordena-me. Revolto-me, de uma maneira apaixonada, excitação transpira pela sala e eu a querer agarra-la. Ali rodopia como um dado na mesa. Algo começa a ficar molhado, porque estou presa?! Com poucos movimentos e eu já cheia de pensamentos. Não cometas a loucura de me desprender, aviso, mas ela ignora-me, enamora-me e aventura-se um pouco mais, faz-me ver as suas curvas despoleta desejos carnais. A camisa cai, um corpete à medida sobressai mas não me dou por vencida! Quero-a, quero-a bastante, quero deixa-la ofegante mas controlo-me. Dança para mim, peço delicadamente e ela vem de repente.

Faz uso dos teus poderes e consome-me sem te perderes enquanto podes, susurro. Quanto tempo aguentas sem me sentires e quanto de mim precisas para te vires? Questiona-me vagarosamente. Quero-te por inteiro neste momento adocicado e o tempo.. Esse é relativo, é um relógio avariado, respondo inequivocamente e levo-a para o chão, uma carpete requintada e deixo-a de costas, deitada para mim e é assim que desato o nó, o corpete sai e fica a sós comigo. Despida do mundo, siga para bingo. Sente-me, digo eu.

O jogo mudou e o controlo é meu. Desvio o cabelo e passo-lhe o dedo pela espinha. Quer ser minha, diz para dentro e dentro dela estou eu agora num movimento que demora. Um arrepio de pele, um doce sabor a mel. Um molhado quente uma temperatura excelente para a prática de.. Nudismo? E é à beira do abismo que a sinto nos meus dedos, rodo-a sobre mim e fica por cima, nada mudou mantém-se o clima.

Sinto a carpete pelo costado e mordo-lhe a orelha, um ato que não se repete mas parece ter gostado. Movimenta a cintura como quem sente uma mistura de prazer e vontade, de sexo e originalidade. Danço em ti, responde só agora. Mais vale tarde que nunca, estou tão à nora. Ainda dentro dela entrego-me ao prazer, dou tudo o que tenho enquanto puder. Agora mais fundo sustém a respiração e passado um segundo um suspiro de aflição. Não pares agora, implora baixinho mas sacana que sou abrando um bocadinho. Pressiono a barriga, aumento a satisfação um pouco mais de intensidade e sinto-lhe os gemidos nascerem pela minha mão. Parou de se mexer - observei com agrado mas deixá-la assim seria um enorme pecado. Preciso de ar, confessa e depressa ocorro o desejo e um cubo de gelo despejo no seu peito. Sigo-o de perto, conduzo-o com os lábios. O que fazes? Pára! Ignoro, perco-me nos Himalaias. Sou alpinista, digo a brincar, esboça-me um sorriso que me rasga o olhar. Distraio-me e o cubo desce, oh nossa como o corpo aquece.

Joana Baptista

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