O tempo passa, as recordações ficam e as memórias permanecem


O tempo passa, as recordações ficam e as memórias permanecem… As más-línguas contam que o tempo tudo apaga, mas não é bem assim, ele apenas se encarrega de nos empregar uma certa amnésia que facilmente é corrompida por uma memória mal esclarecida, quer seja por uma simples foto, por um simples pedaço de papel que ficou esquecido no bolso das calças que já tantas e tantas vezes foram a lavar com aquela relíquia no seu interior, quer seja por uma pessoa que ia a passar na rua e que fez lembrar algo, quer seja pelo retomar de uma rotina que tantas recordações traz do passado, ou até mesmo, quem sabe, pelo tocar de um telemóvel que rapidamente nos leva numa máquina do tempo até aqueles momentos que eram supostos estar apagados pela suposta borracha da vida, mas que afinal ainda estão bem vivos, aconchegados no fundo do iceberg da nossa consciência, prontos para voltar ao de cima a qualquer momento, quando menos os desejamos, para que não consigamos construir um futuro independente daquilo que não quer ser formatado da nossa mente ainda que nós o queiramos!

Grandes desilusões exigem grandes mudanças, assim como grandes tempestades exigem grandes marinheiros, ou como grandes batalhas exigem grandes guerreiros… Por vezes é necessário deixar para trás das costas tudo aquilo que mesmo ingenuamente nos faz mal, pois pequenas marcas passadas podem deixar grandes mossas futuras, daí que seja necessário construir sobre uma desilusão, que inevitavelmente temos que enfrentar, uma estrutura capaz de suportar uma recaída, que não desabe à primeira lembrança que infelizmente se lembrou de voltar, que seja forte o suficiente para que sobre ela se construa uma nova história, assim como se constrói uma nova cidade sobre uma cidade fantasma ou como, num jogo de legos, se edifica algo após umas tantas tentativas em que tudo acabou por inadvertidamente ir ao tapete. Falar é fácil, difícil é realmente colocar em prática toda esta teoria, ainda para mais quando dentro de nós se encontra uma bomba relógio pronta a disparar a qualquer momento o ritmo cardíaco, de tal forma que parece que algo nos quer sair do peito, munido de uma velocidade gigantesca, quem sabe se não superior à de um carro de fórmula 1 quando se prepara para entrar na última reta do percurso de uma final.

A ansiedade é sem dúvida o maior obstáculo de todo e qualquer lutador que se predispõe desde a nascença a encarar a vida e os seus problemas, é ela que nos traz aquele sentimento de incapacidade que nos atinge quando nos encontramos mais inseguros, é a arma do inimigo que se alojou dentro de nós. Contudo, nenhuma arma é cem por cento infalível e, assim sendo, cabe a cada um saber controlar esta emoção de caráter nocivo e, de alguma maneira, deveras irritante, pois só assim a construção que planeámos erguer para esquecer o passado pode ser terminada tal e qual como a idealizámos nos nossos sonhos!

Alexandre Valério

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