E eu amo-te, de rastos

 
E eu percebo que te amo, quando te vejo a sangrar sem qualquer ferida ou lágrima, a sofrer sem mostrar como toda a tua vivacidade fugiu do teu corpo, te abandonou e deixou a sós, de braços dados com o apagão de que agora és palco sem permitir que a sombra deste se reflita para o exterior. 

 És tu. Um espelho de acalmia e tranquilidade, um estado neutro físico completamente distante desse coração artístico. Destroçado, destronado. Roubaram-te o chão mas ainda assim andas de cabeça erguida e como se esquecida do que sentes mentes sem sentido. Não sorris como também não choras, contudo o que acontece na vida tu ignoras porque estás tão ausente como a tua alma do teu corpo. 

E eu amo-te, de rastos. 

E eu ainda aqui a amar-te sem te tentar levantar, porque precisas de sentir essa dor, precisas de fazer o luto, precisas de sofrer para passar, tudo a seu tempo sem saltar etapas. E sabes como te amo? Através deste desejo de absorver em mim todas as tuas lágrimas, abraçar o negro que te envolve e jogá-lo fora. A vontade não de dizer que ficará tudo bem, mas simplesmente ficar ao teu lado para que não sintas tudo sozinha, não importa o tempo que leve. A impotência de não evitar o teu sofrimento corrói-me profundamente e não por mim mas porque realmente me custa sentir-te sofrer, em dor, que terror.

Joana Baptista

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