Dizem que a idade dos 20 é boa


Dizem que a idade dos 20 é boa e estou a tentar decifrar que mensagem está por detrás dessa afirmação. Calculo que consiga ser melhor do que a dos 40, quando já não se pode fazer nada para remediar qualquer situação – apesar de ser apologista de que nunca é tarde para lutarmos pelo que queremos, temos que ver que há uma espécie de limite para isso -. Nos 40 já não se tem força para muita coisa, já para não falar que existem responsabilidades, nessa altura, que simplesmente não podem ser deixadas para trás.

Ambas as situações se tornam frustrantes. Os anos 40 são consequências de escolhas feitas nos anos 20. O que, por vezes, me faz sentir com uma responsabilidade que, no fundo, não tenho. Creio que seja apenas o peso da vida, o peso antecipado do desconhecido e de responsabilidades futuras.

Os anos 20 são ótimos para descobrirmos quem somos, do que realmente gostamos, de ponderarmos os nossos objetivos até então e de chegarmos à conclusão que, afinal, não é nada do que queríamos anteriormente. Em tudo isto é ótimo, não há como negar. Apesar destes pontos, e como em tudo na vida, lá vem o famoso “mas”. O que se segue é um fator que nunca ninguém gosta de considerar, embora seja inevitável. O “mas” da situação pode ser tratado também como “a realidade”. Queremos tudo, e não queremos nada. Num dia temos tudo o que nos faz feliz, no outro já somos os seres mais miseráveis à face da terra. Numa manhã está tudo um mar de rosas, à tarde o nosso mundo já desabou. Passamos dias a encontrar a melhor solução perante um problema e agimos em conformidade com isso, quando na semana seguinte vemos que deveríamos ter tomado um rumo completamente distinto. Queremos tudo, e não temos nada. Encontramo-nos tão sugados pela rotina diária que não nos é permitido descobrirmo-nos. E isso acontece porque a realidade estraga todos os nossos planos.

Vemos a vida passar por nós, estando parados a decidir o que queremos. Passam 1, 2, 3 anos e percebemos que não sabemos o que queremos. Acho que nunca chegamos totalmente a perceber. Quando os nossos olhos se abrem para este mundo frio, mudamos e nunca voltamos a adquirir a ingenuidade que sustentava a nossa adolescência. Passamos a ser vida em corpo, enquanto a nossa mente se mantém a cambalear num mundo paralelo.

É tão triste quando as palavras me faltam neste tema, porque realmente não tenho muito mais a dizer neste desabafo. Porque quero acreditar que me enganei a dizer tudo isto. Quero acreditar que a minha mente se enganou nos sentimentos e quero continuar a enganar-me. Desejo que isto seja a âncora que lanço no meio do mar, para que possa impedir que o barco que me conduz ao longo dos 20 possa estagnar. Que se deixe estagnar e que só comece a andar quando eu conseguir ter uma boia de sobrevivência para chegar aos 40.

Filipa Boavida

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