Carta a despedir-me de ti



Escrevo-te este texto cheia de lágrimas nos olhos. Será a última vez que saberás algo de mim. Porque o que eu fui antes já não o sou agora. Porque a rapariga vivaça e animada que conheceste, enterrou-se com os demónios que entre nós se meteram. As lágrimas são mais fortes que a tinta da minha caneta. Mas não há mais solução senão esta. A solução dos fracos: desistir.

Estamos cansados e somos orgulhosos. Mas a culpa não é dos dois, ela é minha. A minha inocência que cheia de maldade só fere uma única pessoa: eu própria. Troquei ter tudo por ter nada. Deixei que a maldade nos afectasse, deixei que a maldade dos outros me consumisse. Enfraqueci. Mas o meu amor por ti, esse nunca desvaneceu. E é isso que magoa tanto, ter tanto amor e tantos obstáculos contra ele, contra mim, contra nós.

Perdoa-me mais uma vez por ter sido fraca, mas o meu ponto fraco és mesmo tu, sempre serás. És quem eu amo, venero e desejo. És o meu porto de abrigo, agora sem porto porque eu destruí tudo com as minhas lágrimas.

O problema aqui foi a minha imaginação fértil e o tempo a sós a que me dedicaram. O problema aqui foi eu juntar as peças que se encaixam mas que não são do mesmo puzzle.

Pois agora que te perdi, e que me perdi a mim mesma, é que ligo. 'Só entendes quando perderes' mas eu já entendia antes de te perder.

O medo e essas miúdas que só querem tudo destruir, pois não são só miúdas deixa-me que te diga, é o mundo. O mundo quer-nos destruir, mas a mim já me destruiu. E estou desfeita em pedaços que só tu sabes encaixar. Com as tuas mãos macias, dedos firmes e boca ansiosa por mim.

Meu amor, esta é a última vez que te escrevo. Agora é altura de uma nova página. A esta altura já não me encontrarás de coração vivo na tua cama, encontrarás sim a tua mulher afogada em lágrimas e sufocada de coisas por dizer.

Perdoa-me por morrer de amor por ti. Perdoa-me por ser a tua Julieta e tu o meu Romeu.

Incompletasme

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