Onde estás tu agora?

Criaste sonhos. Criaste sonhos pelos dois. Conseguiste dar-me este mundo e o outro. Sabes o quanto é difícil alguém fazer-me isso, só com palavras? Tu não demonstraste nada fisicamente, foi apenas o embalo de quem ouve aquilo que tanto gosta que lhe digam. Durante longos minutos ali eu era feliz contigo, mesmo sem ti. Sonhávamos acordados e fazíamos planos, lembras-te? Tínhamos a certeza que o tempo ia ser o nosso maior aliado e fazíamos as juras de nunca ir embora.

Onde estás tu agora? Estás bem? Como te correu o dia de trabalho?

Na verdade, é só isso que importa. Quero que estejas bem. Se tu estiveres bem, um dia eu irei ficar. Não será exatamente neste minuto, mas nós sabemos que tudo leva o seu tempo não é? Mas se te vir sorrir, eu vou ter vontade de sorrir. Nisso podes acreditar.

Pediste-me um tempo. Dentro do teu sentido doce, foi mesmo a forma mais certa para me dizeres “não sei se consigo dar-te tudo aquilo que mereces”. Não fui capaz de te dar a resposta certa, mas na verdade agora estou pronta para fazê-lo: Eu nunca te iria exigir nada (nada que não me pudesses dar), eu nunca ia esperar mais de ti do que aquilo que estava disposta a dar-te.

Na verdade aquilo que pensamos ser insuficiente será sempre um transbordar para a pessoa que está do outro lado, disposta a amar, disposta a ser amada, disposta à partilha de sorrisos, disposta à partilha de lágrimas. Na verdade, apenas queremos a presença. O resto vem depois e sinceramente ninguém se importa com o que vem depois quando naquele momento estamos a ser tão felizes como eu fui contigo.

Pediste-me tempo. Eu espero por ti. Tu mereces isso. Nós merecemos isso.
Até um dia, se o tempo achar que seremos merecedores de um reencontro.

Nádia Guerreiro

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