Desculpa por ontem à noite

Imagina uma manhã em finais de Novembro
São seis da manhã e o sol está a nascer. A brisa é cortante e o ar é frio, eu não consigo sentir os meus pés. Confesso não estar habituadas a temperaturas assim, tristes. Estás a meu lado mas não te quero acordar, não te posso acordar.
Não consigo explicar o quão tranquilizante é ver-te dormir, perdido nos teus sonhos, perdido comigo.
O teu corpo está em perfeito uníssono.
Estás deitado do lado esquerdo da cama e isso nunca foi tão certo em toda a minha vida. Queria-te pedir desculpa por ontem à noite, por mais uma vez termos discutido. As nossas discussões estúpidas, sobre quem limpa o pó ou quem arruma a casa.
Queria acordar-te com um "Olá João".
Mas não te posso acordar.
Procuro o meu telemóvel para ver as noticias. Vejo as redes sociais. Vejo as fotos das minhas amigas no jantar de ontem à noite.
Levanto-me sem que acordes. Parece que todo o meu corpo está imóvel. Mas vou até à janela, quase que de um salto.
Nesta altura do ano começam os preparativos e as decorações de natal. Prometeste que íamos os dois juntos à procura de uma árvore, mas preferiste ir sair com os teus amigos. Eu fui sozinha.
Observo as pessoas a decorarem as suas árvores, os postes de electricidade, os seus jardins. Antes dizias que os meus olhos brilhavam como a estrela no cimo da árvore e é por isso que adoro esta época.
Está frio. Tanto frio.
E tu estás de costas para mim. Chateado comigo. Triste comigo. Quero-te acordar para nos resolvermos mas tenho receio que te irrites.
Este é o Novembro mais gelado que passei. De corpo e alma gelada pela casa eu vagueio. Esfreguei os olhos e olhei para ti. Já não te encontro. Não sei se estou a ficar maluca mas sei que já tomei os medicamentos. Sinto-me atordoada.
Ring. Ring. Ring. O despertador toca. eu acordo. Foi tudo um sonho. Nada mais que um sonho.
Tu és o meu sonho.



Incompletasme

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