Carta de uma despedida

"Meu querido,
Escrevo-te isto em jeito de despedida. Em jeito de palavras finais, com as quais eras e és tão obcecado. Em recordação das memórias do nosso passado, que vai ser sempre lembrado por nós, que o testemunhamos, e pelo Destino que se encarregou que o vivêssemos.
Escrevo-te, porque te quero deixar uma parte de mim, por mais patéticas que as minhas palavras possam vir a ser. A intensidade tresloucado daquilo que passámos, compensa com a devida conta e medida.
No entanto, queria deixar-te a minha pessoa, mas a doença tira-me rapidamente tudo, e rapidamente também me vai levar isso.
Detesto o facto que te vou deixar desta maneira. É uma merda! Bem sei disso, e a vida que nos juntou a determinado ponto, sem dúvida alguma que nos tramou noutro. És o amor da minha vida, e sei que eu sou o amor da tua, mas sabes que tens mais que obrigação que seguir em frente. Não acredito que estejamos destinados a ter apenas um amor da nossa vida, que por vezes é tão grande.
Olha, e quero que saibas outra coisa. Quero que saibas que não faz mal chorar. Não percebo nada dessas tretas, que um homem não chora. Um ser humano chora, e tu és o ser humano mais belo que eu alguma vez conheci, pelo que tens mais do que direito de chorar.
Mas também não faz mal se não chorares. Aquilo que vivemos deu-me para uma vida inteira de alegrias e sorrisos que durariam mil e uma noites. Pelo que sente-te à vontade para me sorrir, porque esteja eu onde estiver, irei sorrir-te de volta.
Custe o que custar.
Sabes, a nossa história de amor é épica. É deslumbrante dentro da sua própria Natureza. É fruto de duas pessoas atrevidas. Eu, que me atrevi a apaixonar por ti, com o teu sorriso de malandro e pelos olhinhos que me fazias. Pelo teu coração de goma, e pelo teu corpinho de me fazer perder o tino. A próxima rapariga sortuda em te amar, vai ser a rapariga mais feliz à face da Terra, com alguém como tu ao seu lado.
Eu bem sei que sou.
E tu? Apaixonaste-te por mim, porquê? Pelas minhas mãos muito quentes, pelo meu amor por ti, ou por tudo e nada?
Não interessa. Amo-te lá no fundo e cá na superfície, na maior das paixões que alguma vez conheci. Romeu e Julieta nunca foram nada, comparados connosco.
E acho que é isto. Acho que são estas as palavras que te quero deixar em jeito de despedida. As palavras que sei que vais ler, vezes e vezes sem conta, até a tinta começar a sair do papel. Gostava de te dizer que consigo ver o futuro. Mas estaria a mentir-te, e sabes bem que nunca fui mentirosa. Gostava de te dizer que a felicidade está próxima, ou que te esquecerás da dor de me perder em muito pouco tempo. Mas não sei se isso assim será.
Mas sei de algo...
Que te amo...
E que te procurei desde que dei os meus primeiros passos.
Não sei se chega.
Mas por aqui fico...
Um beijo.
Tua..."

Ângela Santana

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