Contigo aprendi a amar o impossível

Acredito que há coisas que não nasceram para ser explicadas. O que sinto por ti veio comprovar isso mesmo. Não fosses tu o motivo de todas as minhas ações ultimamente.

Costumava dizer que nada é impossível. Sim, esse famoso cliché. Nada é impossível se lutarmos com muita força e quisermos muito. Nada é impossível desde que tenhamos a capacidade de ver a possibilidade dentro daquilo que chamamos de “impossível”. No entanto, todos crescemos e, consequentemente, vamos aprendendo. E eu acredito que há coisas impossíveis, sim. Impossíveis de alcançar, impossíveis de agarrar. Não é que não as amemos o suficiente ou não lutemos o necessário, mas porque não são para nós. E só nós é que não percebemos. Aliás, nós percebemos mas não queremos meter isso na cabeça. Porque ter a mínima esperança nos faz suportar melhor a dor. O que nos esquecemos de mencionar ao nosso interior é que a esperança é boa mas também mata. Ela corrói-nos de tal forma que nos vai matando aos bocadinhos. E fá-lo sempre que nos deitamos cansados mas ainda assim perdemos horas de sono a chorar. Fá-lo sempre que procuramos com o olhar aquilo que temos plena consciência que não vai aparecer. Fá-lo quando deixamos que ela nos faça acreditar em algo que não é real.

É engraçado. Somos ensinados desde crianças a ouvirmos sempre o nosso coração. E levamos isso tão a sério que nos esquecemos que, por mais que o coração seja o mais importante, a razão também existe. E não a ouvimos. E sofremos porque o coração nos engana. Porque ele acredita. Ele acredita mesmo quando a razão deixou de acreditar. Acredita até ao teu último suspiro. Até que o teu corpo já não tenha qualquer força. E isso mata-te. Mata a alegria que tens de continuar a viver. Tira-te o brilho dos olhos e o sorriso na cara que toda a gente invejava. “Estás sempre a sorrir”, há quanto tempo não os ouves dizer isto? Tu sabes que já passou muito tempo desde a última vez que sorriste com vontade. Agora deixas que a falsidade te comande. Sorrisos falsos, gargalhadas falsas, “estou bem” falsos... E tudo isto porque a esperança deixou que acreditasses numa coisa que nunca vai acontecer.

A verdade é que mesmo depois de leres isto, mesmo depois de saberes que devias ser capaz de seguir em frente pelo teu próprio pé, a esperança vai continuar lá. Vai continuar a querer que o procures com o olhar e vai continuar à espera daquele abraço que nunca vai chegar. E sabes porquê? Porque o amor é isso. É saber que é impossível e que magoa mas amar todos os dias um bocadinho mais. Porque quando é verdadeiro, por mais impossível que seja, dá-nos vontade de desistir de tudo menos dele.

Cátia Barbosa

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