Shhh... é o nosso segredo


Dizem que toda a gente tem segredos. Tu és o meu. O mais escondido, o mais profundo, o mais intenso... Aquele que julguei ser um segredo esquecido de tão bem guardado. Mal eu sabia que não estava escondido. Muito pelo contrário.

Quando era pequena, toda a gente dizia que havia coisas que nunca ia esquecer, independentemente do tempo ou do espaço e que errar fazia parte da vida. Diziam que eu ia errar muitas vezes e que ia arrepender-me disso mais tarde, quando percebesse que realmente tinha cometido um erro. Mas a verdade é que quando somos miúdos achamos que temos razão em tudo. Tudo o que fazemos está certo e nunca nos vamos arrepender disso porque temos a certeza absoluta do que queremos e ai de quem nos tente impedir. Eu não fugi à regra. Pensei muitas vezes ter razão e cometi erros. Penso que o maior de todos foi ter ido embora e ter-me obrigado a ficar longe de ti. Hoje vejo que devia ter ficado. Afinal, tu sempre precisaste de quem te protegesse do mal do mundo e da tua própria ingenuidade, de quem te mandasse uma mensagem às duas da manhã a dizer para ires para casa, de quem te puxasse as orelhas quando fizesses porcaria. Mas eu preferi ir embora. Não porque não quisesse estar ao teu lado, mas porque às vezes a vida nos obriga a tomar decisões difíceis. E acredita quando te digo que as mais difíceis de todas são aquelas que envolvem os nossos sentimentos. Sei que é tarde demais para pedir desculpa e sei que é tarde demais para voltar a ser a pessoa que mais te protegia no mundo, mas nunca é tarde demais para se dizer “tenho saudades tuas”. E eu tenho muitas. Tenho saudades do que fui contigo e do que tu foste comigo. Tenho saudades tuas e saudades minhas. Mas, acima de tudo, tenho saudades destes anos todos. Talvez porque não estive aí, por opção minha.

É engraçado. Acho que as pessoas tinham razão. Eu tomei mesmo decisões das quais me arrependo agora. Achava que vir embora seria a melhor opção mas agora o que mais quero é estar aí. Ou aqui. Onde tu quiseres. Só quero proteger-te. Dizer-te o que te dizia quando éramos crianças. Quando não tínhamos mil e uma preocupações na vida e quando tudo era mais fácil. Continuas a ser “o miúdo” de sempre mas agora falta-te a “adolescente mimada” para te abrir os olhos quando é preciso. E eu sei que falhei. E tu sabes que eu falhei. E nós sabemos que não há volta a dar. Mas acredita que há mesmo coisas que nunca se esquecem. E tu és uma delas. E desculpa por te culpar por te perderes na vida. Hoje, não te diria para te encontrares. Hoje, eu perder-me-ia contigo. E não te preocupes... Vai continuar a ser o nosso segredo.

Cátia Barbosa

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