Os olhos não mentem


"As nossas palavras nem sempre comunicam o que realmente queremos dizer; elas são filtradas pelos condicionamentos sociais ou pelas circunstâncias. Algo muito diferente ocorre com os olhos, por isso são chamados de “janelas da alma”."

A vida são dois dias e o Carnaval são três, o tempo não pede licença para passar, ele passa e pronto, mesmo sem que lhe concedamos permissão, é independente, dono de si mesmo... Quantas vezes não te lamuriaste já por ter perdido este ou aquele momento, por não ter agarrado as oportunidades que a vida te deu uma única vez? Decerto que já te terá acontecido, é aborrecido, é deprimente, é a fuga constante do velho pensamento "e se tivesse feito isto?", é a incógnita que paira na nossa cabeça, é aquela coisa aborrecida que não nos larga e que o tempo não cura, sim, porque o tempo não cura tudo...

Os nossos olhos, coitados, querem, tentam, procuram fazer de tudo para se exprimirem, mas nem sempre conseguem, ficam presos numa onda de cobardia ou medo, contudo, são eles que nos dizem mais sobre cada um, pois mesmo sem dar-mos conta lá deixamos que a nossa retina faça aquele ruidoso silêncio que bem (ou mal) queremos esconder...

Ao contrário da essência da pessoa humana, os olhos não mentem, não escondem e não fingem, eles refletem o estado de espírito de cada um. Por muitos esforços que se façam na tentativa de encobrir a melancolia que por vezes se instala ou a alegria que nos enche a alma, eles teimam em denunciar-nos, quer seja pela dilatação da pupila, quer seja pela forma como brilham, não importa muito o "como" nem o "porquê", mas acontece, eles pura e simplesmente são o espelho do interior de cada um, e estão à vista de todos!

Como li ainda à uns dias num qualquer site (num daqueles momentos a sós com o pensamento onde só estamos nós e as nossas ideias): "não existem palavras que possam expressar aquilo que um olhar pode dizer em apenas um segundo"... E não é que é verdade?

Alexandre Valério

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