A ti, que foste o meu melhor e pior


Dizem que o amor é a cura para tudo. Que é lá que residem as respostas para as questões que de vez em quando nos atravessam o pensamento, os anseios, mas sobretudo as esperanças. É cliché dizer que o amor move montanhas,  mas de facto é o amor, nas suas mais diversas formas e contextos, que nos salva a nós enquanto seres humanos. É o que nos acrescenta. Todos os dias um bocadinho mais. No entanto, o meu lado de durona, ou o meu temperamento um tanto ou quanto "especial" dificultou-vos um bocadinho a vida. Sempre mostrei ser fria. Não sou fã da vossa conversa do "faço e aconteço". Confesso que essas vossas táticas de sedução baratas me incomodam. Não sou fácil de agradar, e ao longo do tempo essa personagem de durona assentou-me que nem uma luva. Mas depois...  Depois apareceste tu. Meio tímido. Meio a medo, mas cheio de graça.

Confesso que nem precisaste de te esforçar muito para me ter aos teus pés. Foi quase automático. A simplicidade do teu sorriso quebrou o gelo que me impedira sempre de chegar mais além. A máscara de mulher fria e durona caía todas as vezes que os teus olhos brilhantes, essas duas azeitonas pretas como eu gostava de lhes chamar, fixavam nos meus, verdes e rasgados, e deu lugar à menina doce, que existia por detrás daquela expressão arrogante. Conheceste o lado que até hoje não fui capaz de mostrar a mais ninguém, e que por enquanto, só tu conheces: o olhar doce, o sorriso bobo, e o coração mole. É, vi-me a fazer coisas que nunca imaginei: o passear de mãos dadas na rua, as fotografias pirosas, as frases lamechas. Uma pirosisse pegada que até então eu odiava! Mas sabes, foi mais que bom. O tempo que passamos juntos foi tempo ganho, e cada gargalhada tua fez de mim uma pessoa ainda mais feliz. Foste tu que mostraste a beleza do amor verdadeiro. Ensinaste-me a amar, a perder o medo e a viver cada dia intensamente. A sonhar, confiar e a arriscar. Mostraste-me novos caminhos, abri o meu coração tímido, entreguei-te a chave, e deixei que me conhecesses como à palma da tua mão. Ensinaste-me a ser feliz como jamais tinha sido, ou não terás sido tu o meu grande amor não é verdade?

Mas também me ensinaste a ser forte, a levantar após a queda, e a conhecer o significado da desilusão, quando decidiste ir embora sem mas nem porquês. As certezas que aos poucos formei deram lugar a dúvidas e a questões para as quais não obtive qualquer resposta. Da tua parte apenas silêncio, que foi tão duro quanto a tua partida.

Ainda me é difícil lidar com a tua ausência. Muito. Não sei onde arrumar os planos que fizemos para um futuro próximo. Nem os sonhos que tínhamos. Nem os anos que passamos juntos: uma mão cheia de tudo.
Mas nada é eterno, mas quando se vive aquilo que eu vivi contigo acreditamos por breves instantes que sim. É errado mas quem não o faz? E quando menos esperamos, o destino prega-nos uma partida. E esta, como todas sem exceção, veio sem aviso. Não é fácil, não será fácil, mas um dia tudo passa. Independentemente da demora.

A ti que foste o melhor e o pior deste ano.

ARP

também poderás gostar...