Onde tu aconteceste

Hoje voltei a deitar-me na cama onde os sonhos se construíram à minha volta, onde tu aconteceste. Senti-te na pele mesmo sem te ter ao lado e lembrei-me dos teus olhos, do quanto amo os teus olhos. Tantos sonhos cresceram no meio destes lençóis e de todos eles és o único que é realmente possível, pela impossibilidade de um toque foste nascendo nas minhas mãos, crescendo na minha pele e estabilizaste nos meus lábios. Ensinaste à saudade o caminho para casa e ela hipnotizou-me a alma, fazendo-me amar-te cada pedaço de pele.

Circulas-me no sangue e assim me mantenho viva, com a tua vida em mim, com o teu olhar profundo em mim, a mergulhar-me na pele e entranhar-se em cada espaço vazio. Voltei a sentir-te intensamente como quando me tocavas e sabias que não podias, mas a vontade sempre foi tão grande que deixamos de ligar ao que não podia ser e passámos a agir como se não tivéssemos culpa, mas a verdade é, que culpa temos nós se o meu corpo deseja o teu? E se o teu lhe dá troco. Só aceito o sim como resposta e ai já nem precisamos de falar porque os olhares e os sorrisos falam por si. Ai dás cabo de mim e eu deixo-te. Sempre morri de amores por ti, mas agora aprendi a paixão e sempre que me deito nesta cama percebo que já aprendi muito mais que isso, a paixão trouxe-me o teu nome e foi ele que me ensinou a felicidade e esta cama ensina-me a sonhar, ensina-me a ser tua e eu sou, todas as vezes. Mesmo que não pense, quero-te. E ai quero-te ainda mais, são as vezes que deixo de pensar que me levam a pensar mais e és eterna. Em mim és eterna, mas deixa, aguento-te para sempre. Mas vem para os meus braços que está frio lá fora e a cama esta vazia assim.

Quero que preenchas esta cama como me preenches a alma, por inteiro. Ai sou tua. Ai amo-te mais um bocadinho e chega para te amar mais do que o mundo.

Joana Caiado

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