O que vejo nela?

"O que vejo nela?" Pergunta básica que nos fazemos naquelas alturas, em que alguém começa a ficar no nosso pensamento diário. Toda a gente pergunta a si mesmo por isto. Normalmente é-nos muito difícil perceber o que realmente a pessoa nos passa, o que vemos nela. Ficamos sempre com a ideia de que aquilo que vamos dizer como resposta, serão sempre os clichés do costume. Vemos sempre coisas boas, coisas muito positivas, que certamente antes não víamos em ninguém.

Normalmente não achamos muito possível, assim do nada, alguém mexer tanto connosco. Não percebemos muito bem como podemos achar aquela pessoa tão bela e natural ao mesmo tempo. Aquele olhar, aquele sorriso, aquela voz, aquele atributo físico que te tira do serio. Aquela forma de lidar com a nossa presença, aquele cruzamento de olhares. Vê-la sorrir, trás por si só vontade de sorrir também. Habitualmente as pessoas dizem, que não acreditamos e muitas vezes desperdiçamos oportunidades por não investirmos. Geralmente não acreditamos, e se calhar não queremos ver o que estará muitas vezes visível aos nossos olhos e claramente aos olhos de todos! Pomos sempre em questão o que ela terá a mais do que os outros.

Certamente que terá tanta coisa a mais do que todas os outras, a começar pela simplicidade ou até a sua postura envergonhada, ou então aquele sorriso para toda a gente, ou o olhar doce e meigo, ou a forma de falar, ou aquela conversa que certamente te entusiasma falar. Achamos que ali existe alguém que não é muito raro encontrar. Cruzamos olhares e sentimos um friozinho na barriga. Sorrimos e tudo e todos à volta se tornam meramente figurante de uma peça que certamente será apenas vivida naquele momento a dois.

Parece estúpido não é? Já tivemos certamente muitas pessoas nas nossas vidas, algumas delas com tempo que nos pareceram para sempre, mas sempre que nos sentimos disponíveis para algo ou alguém, certamente que aquilo que sentimos é necessariamente diferente, de tudo que vivemos no passado. Desejámos sempre que seja a “nossa hora”, naquele momento e que sejamos correspondidos. Desejamos sempre poder cuidar daquela pessoa que achamos linda! Nunca sabemos descrever o que vai dentro de nós, apenas sabemos que a queremos fazer feliz! Fazê-la sorrir, brilhar o olhar, fazê-la corar, fazê-la passar horas em conversa contigo, percorrer os mesmos passos que ela.

Por isso pergunto-me muitas vezes porque fingimos que não sentimos nada? Nem um ligeiro interesse? Porque não encaramos a realidade tal qual ela é? Não ganhamos nada com isso, muitas vezes só perdemos. Mesmo que não sejamos correspondidos, ao menos voltamos a sentir o que é gostar de alguém e viver o dia-a-dia com a intensidade que isso nos transmite.

Somos assim, vivemos de emoções, sentimentos e perceções. Vivemos de momentos visuais e efetuosos. Gostamos, expomos. Não gostamos, expomos. Independentemente de tudo, não deixemos de viver momentos, só pelo medo de que as coisas sejam mal interpretadas, ou não correspondidas. As paixões são irracionais, por isso não são muito para ser pensadas. Apenas vividas. E com essa vivência, surgem pensamentos instantâneos, e com esses pensamentos e nessa altura percebemos que os nossos corpos são como um vulcão. Prontos a explodir e a provocar uma grande erupção. E não importa há quanto tempo nos conhecemos, quando a sintonia é despertada e a vontade tende cada vez a aumentar mais. E é nesta altura, que após pensarmos bem, sabemos perfeitamente o que vemos nela. Vemos atração, desejo e entrega.

André Sousa

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