Se nunca te atirares, nunca saberás se alguém te deu a mão e caiu contigo...

Hoje caminhava mais uma vez por aí. O dia ia frio e o vento arrepiava-lhe o corpo. A sua mente continha tudo o que se possa imaginar, contudo o olhar perdido contrastava com a forma eufórica como vivia a vida.
Naquele momento era apenas mais um que caminhava sozinho, por aquela estrada que formava cristais de gelo. Quem se cruzava com ele, sentia que era mais um que se tinha comprometido com a solidão. Era mais um que não se permitia sentir, para que não lhe doesse.

Tornou-se amargo, com uma postura de quem está sempre em guerra, de quem nunca larga a espada e o escudo. Durante muito tempo quase que amou a solidão. Naquele dia, ao chegar a casa, demorei horas no banho, onde cantava e relaxava, após um dia stressante.

Pensava que o sexo oposto só servia para que o satisfizesse quando quisesse. Alimentava a ideia de que a solidão o permitia ser e fazer o que quisesse.

Contudo quando o amor lhe bateu à porta, simplesmente tendeu a não ligar, como se isso nem existisse. Acontece que por vezes, mesmo não querendo, o amor é insistente, e mesmo com resistência, ele acaba por entrar. Nessa ocasião, quando lhe bate à porta, não espera duas vezes para ouvir a permissão para entrar. Entra e instala-se. Precisamente naquele local, onde outrora não sentava nem dormia ninguém. Instala-se precisamente, naquele lugar, onde outrora ninguém lhe fazia, formar e formular histórias, tipo guião de filme romântico de domingo a tarde.

E hoje enquanto se instalava naquele local, surgiu a ideia de que naquele lugar, começou por escrever um argumento de uma história de amor. Começou por guardar o escudo e a espada, da guerra onde estava inserido, parafraseando as mais lindas histórias de amor, que unem um soldado a alguém que o faz querer regressar.

Por isso, tal como ele, enganem-se todos aqueles que dizem não ser capazes de amar de novo, todas as que dizem que vão ficar entregues à solidão, porque em algum momento da vida, a solidão vai deixar-vos entregues ao amor. Para ensinar que, tal como caímos na solidão, amar é cair do precipício, na esperança de que alguém nos dê a mão e caia connosco.

Em suma se nunca te atirares, nunca saberás se alguém te deu a mão e caiu contigo.

André Sousa

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