Ao passado, que não quer ir embora

Os dias aqui têm passado bem devagarinho, no entanto, a verdade é que já passaram alguns meses desde o dia que decidiste ir embora em jeito de "surpresa" levando contigo os sonhos de menina-mulher que construí durante todo o tempo que estivemos juntos.
Não foi nada fácil lidar com a tua ausência nem habituar-me à ideia de que já não fazias mais parte das minhas rotinas.
Foi difícil pôr na cabeça que a nossa história tinha chegado a um fim, e desta vez sem retorno. Era a segunda vez que tentavámos de novo, e embora na altura quisesse muito que voltasses, as oportunidades estavam gastas já. E foi então que tu decidiste refazer a tua vida.

Ver-te com outra pessoa foi como levar um murro no estômago. Adormeci muitas vezes a acreditar que no dia seguinte tu te ias arrepender. Não vou negar que no entretanto te desejei algumas maldades. Foste tão rápido que coloquei em causa tudo o que ficou para trás. As certezas transformaram-se em dúvidas. Mas foi a partir daqui que eu ganhei força, e então os dias começaram a passar a uma maior velocidade, enquanto aos poucos tudo fazia para te esquecer, até que percebi que isso não se consegue assim num simples piscar de olhos. Podemos deixar de dar importância, deixar para segundo plano. Mas esquecer não. Não é um processo nada fácil. Não basta querer muito. E se eu queria... Porque se assim fosse, meu querido, era tudo bem mais simples e o meu coração não disparava cada vez que recebo uma mensagem tua.

Embora estando longe e depois de dizeres com todas as letras que estás melhor assim, continuas a perseguir a minha vida e a mexer com os meus sentimentos e emoções. Acredita que eu também estaria melhor se, de vez em quando, não decidisses voltar e dizer que tens saudades minhas. Não percebo porque o que fazes. Não é justo para ambos, mas principalmente para mim, porque cada vez que voltas sinto que retrocedo dois passos para atrás nesta minha nova caminhada. É como se cada vez que te tento transportar para a "gaveta" do passado tu adivinhas e fazes de tu para me. Com isto tens-me ensinado que as coisas não assim tão preto no branco como nos fazem crer, e que às vezes existe aquele cinzento que tortura. Não é que por vezes não sinta saudades tuas, ou melhor, daquilo que já fomos os dois, mas prefiro que não o saibas porque de ti, sinceramente, quero apenas distância embora tu continues a achar o contrário.

Sabes, talvez não tenhamos sido mesmo feitos um para o outro, como tantas vezes disseste. Mas uma coisa é certa, fomos feitos para marcar a vida um do outro. E há marcas que não passam. Mas se fomos, a escolha foi tua. E se estás melhor assim, não ligues tantas vezes, se faz favor.

ARP

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