Para vocês, que vão morar juntos

É completamente inconcebível.
Hoje em dia é esperado cruzamo-nos na rua com alguém que esteja constantemente armado, pronto para as pequenas guerras com o trabalho, com a sociedade, com a falta de cumprimento do horário dos transportes públicos, com o trânsito, com aquela senhora da fila dos correios a reclamar há meia hora. Também nós próprios saímos de casa com uma armadura para a vida, o que algumas pessoas chamam de máscaras - máscaras de paciência, de cinismo e civismo, máscaras de falsidade e engraxadores, mas saímos de casa e as vezes apaixonamo-nos por alguém armado.
Inconcebível é um indivíduo ter que voltar para a sua casa, o seu ninho - lugar de conforto e de nudez de espírito - e ver-se obrigado a não despir a farda, a continuar guarnecido de armaduras que o protegem de ataques inesperados até das pessoas amadas.
Mentalizem-se, só vale dividir a vida com outra pessoa se ela o conhecer e aceitar tudo o que você é e principalmente, o que não é! Sim, porque isso de viver sempre no expoente máximo é um mito até para a pessoa mais otimista e positiva do mundo!
Por isso, vocês que vão morar juntos entretanto, é tudo muito lindo enquanto são os melhores gladiadores lá do vosso coliseu dos papás, mas quando se confrontarem com o vosso parceiro, lembrem-se de deixar as máscaras à porta de casa, que são pessoas vulgares, com sentimentos e fraquezas semelhantes às dele, que precisam da vossa privacidade e do vosso próprio espaço por muito íntimos que sejam e vocês não são mais que ninguém, nem do que o vosso parceiro! Logo, não se armem em casa, nem em parvos.

Joana Rita

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