Espero-te


Quis-te, como quem não quer saber das consequências que o fim do Mundo poderia trazer.
Aliás,... que o Mundo termina-se a qualquer hora. Os meus pesadelos iriam ser eternos sem que estivesses ao meu lado.
O lugar do teu lado da cama ainda está quente. Traz-me uma segurança que conheci em tempos. Arruinada pela melodia incessante da realidade.
Tenho vontade de gritar.
Mandar abaixo esta merda toda!
Provar que sou uma Super Mulher, que não preciso de ser posta à prova a toda a hora.
Mas que ainda preciso do meu Super Homem ao meu lado.
Quero-te.
Com a mesma intensidade do momento em que te pus a vista em cima pela primeira vez.
A saudade é fria e desconfortável...
Uma porra fodida, e que ninguém deveria ter que suportar.
E não viver seria ainda pior.
Descartei ventos em troca de tempestades para que a nossa intensidade fosse a de mil sóis.
Mas a tempestade da nossa sinceridade foi demasiado para nós os dois.
Marcaste-me...
E por muita água e sabão que use para lavar as marcas o meu corpo, permanece irremediavelmente mudado.
Apetece-me gritar. As águas correm tão depressa e por caminhos tão nefastos, que temo poderem abafar o som da minha voz.
Quero-te aqui.
Mas a minha estrela da sorte perdeu-se na escuridão.
Os teus braços tiraram férias do meu corpo, e os postais tardam em chegar.
Espero pelo próxima vez que poderei ouvir a tua voz.
Espero pela última vez que verei os teus olhos.
Que voltes.
Que tudo ficará bem.
E que a vida nunca mais seja a mesma.

Ângela Santana


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