Para além de ti


Cheguei a invejar os saudosos daquilo que nunca tiveram...
Quando eu própria me tornei numa saudosa daquilo que tive, e perdi...
O eco das tuas palavras perdura à minha volta. É um exercício inválido, tentar rodear-me de escuridão para tentar esquecer-te
A história do que vivemos daria para encher folhas e folhas de papel de carta.
Mas estão somente gravadas na minha pele.
Cheguei a pensar que os teus beijos curariam os males do Mundo.
Hoje, que sinto tanto a tua falta, percebo que eram somente a minha droga.
Refugio-me no meu roupeiro. As tuas camisolas caem e prendem-se nas minhas mãos. Ainda sinto o cheiro do teu perfume, e transporta-me para algum sitio que eu não quero ir... Pois sei que quando voltar doerá mais.
Deixo-me escorregar até ao chão, e na balada da vida, vejo a luz do fundo do túnel lá de fora a desvanecer-se, até ser menos do que carvão na folha de papel.
Fomos uma canção triste que nunca teve a esperança de um final feliz.
Fomos um ponto final, no lugar de um ponto de interrogação.
Eu sei...
Eu sei que todas as belas histórias, por muito que queiramos e lutemos com a força de Hércules, acabam por ter um fim.
Sei, e choro por isso...
Foste o meu amor. E com a vontade que os meus lábios tem de pronunciar o teu nome, a tua imagem será sempre aquilo que verei quando fecho os olhos.
E as lágrimas que choro, fruto da saudade que me aperta e magoa.
Digo-te...
Amo-te, e por minha própria conta e risco, não quero amar mais ninguém para além de ti.

Ângela Santana


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