Quanto tempo vai demorar o tempo a curar tudo?


O tempo passa, o tempo é o melhor conselheiro. O tempo cura tudo. Mas o que é certo é que é madrugada de domingo e o relógio marca precisamente cinco horas e 16 minutos ao mesmo tempo que a minha mente é invadida por memórias dos (cinco) anos que passámos juntos, desde aquele dia (16)  de dezembro. Por mais que me custe admitir, és o refúgio para onde vou viver tantas e tantas vezes quando o sono teima em não chegar. Sabes, é quando passa a raiva e a paronia dos "porquês" e dos "como seria se" que a ficha cai e me faz ter saudades do que fomos e principalmente da pessoa que me fazias ser.

É claro que sinto a tua falta, e o que custa é saber que as nossas linhas não se cruzam mais. Mas do que eu tenho mais saudades é das gargalhadas que dava-mos juntos, aquelas de fazer doer a barriga e as bochechas e de parecermos dois miúdos. De quando me tiravas fotografias no meio dos campos de flores, sem eu me aperceber. De irmos passear e ver o mar. De ir dar um mergulho e a seguir deitar-me em cima de ti toda molhada e ver a tua cara de zangado. De me dizeres que a luz dos teus era eu, como diz a canção. De me abraçares forte.

Mas havia tanto ainda para viver, não achas?

Foi culpa nossa, embora mais tua que minha, todas as memórias que não vivemos , todas as noites que não matamos, todas as viagens que não fizemos, todos os sonhos que não concretizámos e todos os mundos que não conquistámos. Foste deixando de remar até que um dia abandonaste o barco. Mas já passou tempo suficiente e tu não vieste atrás. Superaste depressa. Podias-me ter dado umas dicas para eu tentar viver melhor com isto, porque ainda não te consegui dizer um adeus definitivo. Não, porque há palavras que ficaram por dizer e abraços que ficaram por dar. Não, porque os outros são só os outros. Mas tu, serás sempre tu. Porque o tempo afinal não cura nada.

ARP

também poderás gostar...