Mulher traída

Faz hoje uma semana que atirei pela janela toda a tua roupa, quando te via no carro com a tua nova namorada.
Não tenho que te culpar pelas noites mal dormidas que diariamente passo. De não ser feliz companhia para mim mesma e para os outros. Das graúdas dores de cabeça. Das dores de barriga que tenho sentido. De agarrar e cheirar diversas vezes a tua almofada como companhia - o teu cheiro é a minha companhia. Da vontade de querer me alimentar e não conseguir. Da pouca força que tenho em me levantar da cama. De não conseguir abrir os olhos por estarem inchados de chorar dia sim e dia sim. De ir trabalhar neste estado. De recusar inúmeros cafés de quem me quer bem. De nunca olhar para as montras cheias de amor. De constantemente procurar pelo teu nome nas redes sociais. De escutar musica melancólica todas as manhãs e todas as noites. E sabes? Entreguei-te o meu ser. Dei-te a conhecer o meu jeito que mais ninguém conhece. E pior que tudo isto, é sentir na pele a maior das dores - ser trocada. Tinha a ideia que passar por uma situação destas era um pesadelo, mas nunca pensei que viver desta forma é quase mortal. Quero ligar-te e dizer que te amo. Que te quero. Que a nossa casa (que tanto lutámos para a ter) aguarda por ti. Que sinto falta de ter na minha cama. Que tenho saudades do teu toque. Do teu beijo. Da tua pele macia. Da brisa da tua voz. Do teu jeito em que me olhavas... Era amor, eu sabia que era amor.
Porque me olhavas com orgulho em ser tua namorada quando estavas com os teus amigos? Porque me abraçavas tão carinhosamente quando eu tinha frio? Porque já não me queres? O que te fez esquecer de mim? Quero que me desejes da forma tão louca como a desejas neste momento. Quero que lhe digas que não a queres, que ainda me amas e que não passou tudo de um desejo sexual.  Mas diz-lhe. E olha, diz-lhe para ir e nunca mais voltar.
Questionam-me várias vezes o porquê de ainda te desejar como a primeira vez que me convidaste a sair. Eu mantenho-me calada durante segundos... e digo que é Amor. E o Amor tem destas coisas. Amo-te. Amo-te mesmo sabendo que te deitaste na nossa cama com outra. E sabes o quanto isto, de te amar, me deixa louca? É viver sozinha numa loucura doentia. Leste bem meu amor: sozinha.

Perguntaram-me ontem:
«Onde está a mulher que não choraria nunca por um homem?»
Eu respondi, entre lágrimas:
«Deixa-a no passado. E parte de mim foi no dia em que atirei tudo pela janela.»

Ruben Moniz

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Amor bom é amor leve