Para sempre é pouco tempo quando se ama demasiado

Para sempre é pouco tempo quando se ama demasiado. E é sempre tão bom um corpo ali, um novo beijo aqui, a roupa coberta por outro perfume. São inevitáveis as vezes que me pedes mais, que mesmo nem sabendo o meu nome pedes-me o domínio, a fúria e o prazer. Mas também são inevitáveis as vezes que te faço sentir "mulher", mesmo que por momentos não saiba quem és ou de onde apareceste. Mas é assim: Rápido. Tão rápido que não dá para nada. Muito menos amor. Não existe um olhar, um sorriso ou mesmo vontade de ficar. Isto é o que nos atrai. Mas não é tudo. E é esse quase tudo faz a diferença. 

Para sempre é pouco tempo quando se ama demasiado. Muito antes do que a cama pede-me os lençóis e verás se não me lembrarei do teu nome. Muito antes do que o sexo vem o amor. E é sempre tão importante um cheiro aqui, um corpo ali. São poucos os que ficam, mas se ficam, se por alguma razão decidem ficar, então há-de ser. Amor ou não mas é o princípio de algo. E é sempre o princípio de algo. Muito antes do que o sexo vem o amor. E a saudade. A saudade é o que nos mata por dentro. Só quem realmente ama é que sente a falta, o vazio infindável. O resto... bom o resto constrói feridas. Alimenta-as noite após noite, cama após cama. "Nenhuma mulher deveria deitar-se sozinha". Então porque ainda existem tantas por aí?

Patrícia Fonseca 

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