A ti que pensas que me apaixonei por ti para a vida toda

A ti que pensas que me apaixonei por ti para a vida toda. Isso não é verdade. Deixei-me levar, nem sei bem pelo quê. Deixei-me levar pelos instintos e ambos fomos levados a fazer coisas, que ambos queríamos na altura. Sabes? Não quero que nada volte a ser o que foi. Não faz sentido agora. Agora, mais do que nunca quero apenas olhar-te nos olhos, um dia, e dizer a mim mesmo que "a pessoa que está a minha frente se cruzou no meu caminho, fez parte de um período da minha história, e agora é uma pessoa que estimo e que levo em mim a melhor parte que me deu." .. só isso. Talvez leve também a pior parte. Agora quero, continuar a acreditar que nada é por acaso e que eu te ter conhecido foi uma benção que a vida me deu. Mesmo que, essa benção me doa um pouco de vez em quando. Quero ficar bem. Sinto a necessidade de ficar bem. Mesmo sentindo a tua falta! Sabes? Se me deste a calma em muitas das conversas que tivemos, dás-me agora uma auto-proteção em cada conversa que não temos. Vens agora ensinar-me a proteger-me de mim mesmo. Vens agora ensinar-me a não me envolver tanto em coisas que simplesmente acontecem. A nossa cena, simplesmente aconteceu. Se somos amigos? Não somos amigos a cem por cento. Não temos aquela amizade na totalidade. Já nem falamos, como antigamente. Infelizmente, isso acontece sempre quando nos acabamos por relacionar de um jeito mais íntimo com outra pessoa. Mas acho que nenhum de nós seria capaz de ver o outro muito mal, sem lá estar. Afinal de contas, "estamos bem" e eu quero acreditar que sim. 
Quero acreditar que não te sou totalmente indiferente. Mesmo sem sorrisos, conversas tolas, nomes totós e carinhosos. Mesmo sem nada disso. Acho que se te vir por aí, o meu coração vai acelerar. Da mesma forma que acelerava cada vez que cruzávamos as nossas vidas de forma íntima. Acho que me vou lembrar disso, sabes? Mas depois, não passa disso. Eu seguirei em frente. Talvez te diga um olá. Talvez até dê um beijo no rosto. Talvez os nossos olhares se cruzem de maneira especial. Mas não passará disso. Há coisas que acontecem. Há coisas que não acontecem. Há coisas que estão quase a acontecer e não acontecem. Talvez seja o destino a dizer-nos que há algo melhor por aí. Que aquela não é nossa vez. Que pode até vir a ser um dia, novamente, e de uma maneira ainda mais forte para ambos. Mas não foi daquela vez. Agora, quando passares por mim, passarás por uma pessoa mais limada. Tu foste a minha lima. Limaste-me o coração e as arestas que estão a volta dele. Só isso. Agora eu não consigo confiar em mais ninguém. Não confio sequer em mim, nem nos meus instintos. Agora tudo o que vier, acho que vai. Foi simplesmente assim, sem eu querer. E vai ser assim , agora, porque eu quero. Pelo menos enquanto tudo o que eu me lembrar de nós vier à cabeça de forma espontânea, como tem sido. Eu respeito-me. E quero respeitar as pequenas mazelas que deixaste. Elas pedem-me isso. Desculpa se algum dia nós fomos longe de mais. Se algum dia pareceu ser aquilo que não foi. Se algum dia te fiz ir até onde não querias. E eu sei que querias, porque nunca nos obrigámos a nada. Obrigado por me ensinares um pouco sobre as pessoas, sobre as relações com pessoas e sobre como começar a pensar mais em mim. Afinal de contas só me vieste deixar um pouco mais de orgulho na minha personalidade. E agora começo a criar um pouco de amor próprio. Não te vou dizer que isso se faz com as maiores das facilidades. Porque estaria a mentir-te. Mas vai-se fazendo aos poucos. E mesmo que custe, não há-de ser impossível. Impossível foi continuarmos a nossa relação. Se alguma vez foi mesmo relação. Talvez tenha sido apenas uma amizade colorida. E agora talvez perceba isso. Vou começando a perceber. Beijos de alguém que tu conheceste, como algumas pessoas nunca conheceram. Beijos de alguém que o destino fez cruzar-se na tua vida, vai-se lá saber porquê. Beijos de alguém que até gosta bastante de ti. Beijos.

O homem caído 

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