A vida de emigrante

Vocês já pensaram e refletiram bem porque que nós emigrantes emigramos?
Secalhar porque infelizmente o nosso país não nos oferecia uma vida estável e por vezes é preciso tomar decisões, é preciso lutarmos por algo melhor.
Ao inicio não é fácil, nunca é... Deixar os amigos e a família para trás é uma coisa bastante difícil e custa sempre muito...
Quem pensa que a vida de emigrante é uma vida fácil, está muito enganado. Muito pelo contrário, é bastante difícil! Só quem passa por isto sabe o quão é difícil estar longe daqueles que amamos, o quão é difícil chegar a um novo país onde não se conhece ninguém e que não é a nossa língua materna... A vida no estrangeiro é dura e não é um ‘mar de rosas’ como muitos pensam, seja para um adulto, uma criança ou um adolescente... Não é uma vida de luxos e extravagâncias. É preciso ter muita coragem para deixar tudo e ‘navegar num oceano’ em busca de uma vida melhor num país que não é o nosso.
Magoa muito por haver pessoas que afirmam que nos achamos superiores somente por estarmos no estrangeiro. Imaginem o quão doloroso é para quem está a quatro mil ou mais quilómetros da família. Acreditem que só quem está nesta situação sabe o enorme sacrifício que se faz.
Eu estou aqui, mas o coração está lá!
Nós emigrantes não somos mais nem menos que ninguém. Mas também ninguém é mais ou menos do que nós. Nós emigramos, deixamos a nossa casa, a nossa família e amigos para começar tudo do zero, numa cultura tão diferente. Não existe um dia que não pensemos naquele amigo, naquela comida. Perdemos aniversários, casamentos, nascimentos, funerais...
É difícil, quase impossível fazer amigos novos que compensem a falta dos antigos. Aos poucos vamos habituando com a falta, o telemóvel vai tocando cada vez menos. Precisamos de ter cuidado para que a comida do outro país não vire nosso refúgio emocional, nosso novo amigo. Porque ai mais problemas virão, quilos a mais, falta de autoestima, tristeza... infelizmente a comida não preenche nenhum vazio!
Nós não vivemos, sobrevivemos! Como companhia tenhos a saudade. Acompanha-nos dia e noite e por vezes chega mesmo a sufocar. Estar longe de quem amamos, das nossas raízes, implica sem dúvida superar e nos tornar mais fortes.
Está quase a fazer 13 anos que cheguei ao estrangeiro e admito que nos primeiros tempos foi bastante difícil... Uma nova escola, novas rotinas, novas culturas e costumes,  e novas pessoas na minha vida... Lembro-me como se fosse hoje do meu primeiro dia de aulas aqui e da primeira pessoa que conheci,  são coisas bastante marcantes e nos primeiros tempos eu chorava todos os dias e tanto era dificil para mim como para quem me rodeava... Fui obrigada a crescer com o tempo, eu estava sempre no meu canto e tirava as minhas próprias conclusões... Admito que foram tempos duros, mas hoje eu só agradeço por estar aqui onde estou, sinceramente eu já não seria capaz de viver na Ucrânia, são vidas muito diferentes, gosto de lá passar férias sim gosto e isso nunca irei deixar de gostar mas aqui sei que vou ter um bom futuro. No meu caminho cruzaram-se pessoas bastantes diferentes e isso de certo modo ajudou-me a crescer muito.
A vida é feita de escolhas, não me arrependo da minha, até porque não sou ingrata e a verdade é que sei que este foi e é o país que me oferece uma melhor qualidade de vida, com mais estabilidade e não me posso esquecer disso. Mas é verdade também que as minhas raízes estão lá e é lá também que me sinto realmente bem. Não só por ser o meu país, mas também por ser aí que tenho tudo e todos.
‘O que não nos mata torna-nos mais fortes’ e esta é uma experiência de vida que nos faz crescer imenso. Ensina-nos a valorizar as pequenas coisas! A dar valor à família e a todos os momentos que passamos com ela por muito breves que sejam.
Hoje dou valor ao meu país e às minhas origens e dou valor a coisas que antes não dava... Coisas simples como um almoço de família nas férias ou um simples telefonema de alguém que já não vejo à muito tempo.
Tenho orgulho em ser uma emigrante no mundo!

Ucranianazinhaa

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Amor bom é amor leve