Ela era uma sonhadora

Ela dizia que não mas acreditava em unicórnios. Daqueles com um corno da cor do arco-íris, pelagem branca imaculada, uma crina incrivelmente longa a vacilar ao sabor do vento.Ela negava mas ao mergulhar nas águas profundas do oceano via-se como uma sereia, batendo as pernas em uníssono enquanto acompanhava um cardume de peixes coloridos.
Ela contestava mas desde pequena acreditava na força do destino, daquilo que, quer queiramos, quer não, já está há muito escrito nas estrelas, definido nas entrelinhas daquilo que achamos serem as nossas próprias decisões.
Ela refutava com veemência mas sempre soubera da existência de Príncipes Encantados. Nunca primorosos, nunca imaculados, imperfeitos como toda a gente, desprovidos de cavalos brancos ou sem coragem para se aproximarem sequer de um dragão. Na verdade, sapos com as características certas para a Princesa adequada.
Ela contrapunha mas achava secretamente que contos de fadas podiam ser adaptados à realidade, moldados à dureza da vida, à rispidez da rotina, à austeridade do tempo a passar, à incomplacência da morte.
Ela desmentia tudo. Mas no fundo da sua alma, era e seria para sempre eterna sonhadora, menina dos sorrisos fáceis, criança apaixonada pela magia de um grande amor.

Rita Furtado

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