Guarda-me em ti

Acreditei que o teu amor iria resistir ao vazio dos dias e ao silêncio das noites. Acreditei que fosses resistir à rotina a que a vida, por vezes, nos obriga. Acreditei que, apesar de tudo, nela fosses encontrar sempre um sentido. Acreditei que encontrarias sempre o norte mesmo depois de um dia difícil e que a resposta para isso estaria no meu sorriso. Acreditei que fosses resistir ao cansaço desta longa viagem e das noites mal dormidas. Acreditei que me desses a mão, não só nos passeios de primavera, mas também nas noites frias de inverno, quando o brilho e a luz se apaga. Acreditei que a distância fosse um mero detalhe como tanto se apregoa por aí. Acreditei que fosses capaz lhe fazer frente e que te reinventasses, como eu, à medida que ela nos tentava sufocar aos poucos. Acreditei que haveria sempre uma solução, uma saída, e que juntos iria-mos dar sempre a volta. Acreditei que existiria sempre uma ponte, um caminho, uma força, um destino a unir-nos. Acreditei que existiria uma imensidão de coisas que te iriam fazer continuar a lutar e que não nos fosse-mos nunca perder um do outro,

Mas acordaste-me do sonho no dia em que decidiste conjugar o verbo desistir sem aviso prévio.
Hoje, passado algum tempo, sei que desistir não é uma arma dos fracos. Quem desiste nem sempre perde, às vezes ao se desistir também se ganha. E por isso mesmo não posso pedir-te que voltes. Mesmo que eu quisesse muito, mesmo que eu quisesse mais do que tudo. E tu sabes que queria. Não posso porque essa seria a atitude mais egoísta que eu  poderia tomar. O egoísmo e o amor são contrários, reversos, avessos um do outro. Mas posso pedir-te outra coisa. Posso pedir-te que me guardes para sempre em ti. Guardas? Para sempre e num lugar especial. Não numa gaveta fechada e esquecida. Guarda-me no teu coração recheado de amor. Guarda o meu sorriso. Guarda o brilho dos meus olhos. Guarda o toque da minha pele e o tom da minha voz. Guarda o aroma do meu perfume, aquele que me ofereceste pelo natal e que usarei para sempre. Guarda todas as coisas boas: as que fizemos, as que vivemos e as que sentimos - as más o vento já levou para longe de mim, de ti, de nós.
Guarda também o entrelaçar das nossas mãos com a intensidade de quem não se quer largar nunca.
Fecha os olhos e guarda a lua, as estrelas e cada pôr do sol como se fossem tesouros, que restaram dos momentos que passámos juntos.

Uma coisa é certa: continuo a acreditar que na vida tudo acontece por uma razão.
Guarda-me em ti.
Guardas?

ARP

também poderás gostar...

Hoje apeteces-me