Não largues nunca a minha mão

A humanidade vai-se perdendo dia após dia, esfumando-se por entre a maldade e a ganância a cada minuto que passa. Escondo-me dela no refúgio de um abraço teu, na esperança de que a realidade não me encontre ali. Fecho os olhos com força e esqueço que existe outro mundo lá fora, depois de virar a esquina dos teus braços. Não há segundo tranquilo longe do afecto dos teus lábios sobre a minha pele morena. Um silêncio inquietante faz zumbir os ouvidos, como se o fim estivesse ali já ao amanhecer mas os teus olhos esmeralda não abandonam os meus, carregados de uma segurança que vai aliviando a incerteza. Quando sorris não há tempestade capaz de naufragar esta jangada a que chamam de vida, tão frágil, tão volátil, tão efémera. Não largues nunca a minha mão. O mundo do outro lado do teu corpo é demasiado perigoso para uma donzela sem amor.

Rita Furtado


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