Perdi-te, mas obrigada por tudo

A ti, que me fizeste acordar para a vida e desprender-me do passado.
A ti, que me deste na cabeça quando o que eu esperava eram palavras de conforto.
A ti, que me fizeste crer em mim.
A ti, que foste a razão de quase todos os meus muros caírem.
A ti, que me tiveste e, de um momento para o outro, me deixaste sem chão.
A ti, que me fizeste rir quando o que eu mais queria era chorar.
A ti, que me ensinaste a seguir aquilo que eu realmente queria, do fundo do coração e não do fundo da mente.
A ti, que me fizeste aprender a seguir os instintos mais puros.
A ti, que fizeste com que crescesse da maneira mais crua.

Olhando agora para trás, não existem desculpas nem coisas por fazer.
Apareceste no momento mais difícil, vieste de mansinho como quem não quer nada e ainda me lembro da tua indignação quando eu disse que não queria nada mesmo. Ficaste chateado, não por eu ter dito o que disse, mas por eu ter entendido que tu querias algo mais quando, na verdade, não era isso.
Foste ficando. E eu deixei. E quando me apercebi das coisas já não havia volta a dar.
Estava exposta e não era algo a que eu estivesse habituada. Senti-me vulnerável porque sabia que tu tinhas nas mãos o poder de me magoar.
Fui eu quem começou a desfazer o que quer que seja que nós tenhamos começado a construir. Tenho plena consciência disso.
Fui eu quem te afastou, quem se fechou e que evitou que continuasses a fazer essa tua magia. Tranquei-te do lado de fora e não deixei que me compreendesses.
“Sou complicada”. Disse-te vezes sem conta e tu… tu nunca te deixaste intimidar pela minha maneira de ser e pela minha maneira de complicar as coisas mais simples. Continuaste ao meu lado quando aquilo que eu merecia era que me virasses costas da maneira mais dolorosa possível.
Sei que não me culpas. Sei disso. E talvez seja por isso que a dor se recusa a ir embora.
Seguiste em frente e só aí é que caí na real.
Perdi-te.
Podíamos ter tido tudo e ficamos na metade, porque eu não consegui deixar que um último muro fosse abaixo.
Acho que ainda não tenho perfeita consciência de como tudo está agora. Acho que no fundo ainda tenho uma misera esperança de te voltar a ter. Pensamentos estúpidos, eu sei, mas não os consigo evitar.
Foste o momento da minha vida em que o meu eu era feliz e livre. Gosto tanto de ti não só por seres quem és, mas essencialmente por não julgares aquilo que eu tantas vezes tenho medo de mostrar. Gosto tanto de ti por ter noção de que aquilo que tu mais gostavas em mim era quando eu era eu sem entraves, sem contenções. Mas podes acreditar, esse meu eu só apareceu contigo.
Por todos os teus nãos, todas as mensagens vistas e ignoradas, todas as vezes em que vi que apenas tinha a tua amizade… tenho consciência que te perdi, mas o meu coração ainda não conseguiu assimilar isso. Desculpa.
Sei que agora é tarde para dizer o que quer que seja, mas talvez seja melhor tarde que nunca… Ensinaste-me a seguir os meus instintos, lembras-te?
Eu lembro…
Sei que não te vou esperar para sempre, nem posso… Ensinaste-me a não me prender ao passado, lembras-te?
Eu lembro…
Sei que estás feliz e esse é motivo pelo qual eu também estou. Espero mesmo que tenhas com ela a felicidade que eu tive contigo e que tudo te corra pelo melhor.
És e serás o meu “anjo”, mesmo que esse fosse o nome que tu usavas para me chamar. Causa arrepios, saudades e faz-me reviver todas as memórias que criei contigo. É isso, memórias e bagagens de alguém que aprendeu e cresceu e que agora fica feliz por te ter tido na vida, mesmo que tenha sido por um tempo insuficiente.
A ti, o maior e o mais sincero obrigada.
Anónimo

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