Hoje sou aquilo que nunca fui contigo

Hoje traço um caminho sem ti. A tua ausência constante que outrora foi uma punição rancorosa a cada segundo cronometrado com exatidão, hoje, é o maior motivo de felicidade consistente sem falhas e sem manobras de distração.
Hoje, o silêncio arrebatador não passa de uma sombra rasgada e uma passagem desvanecida no meu pensamento.
Os desabafos são cada vez menores, praticamente inexistentes. A liberdade de ti é extrema.
É viciante.
Palavras para quê? A chuva que cai bruscamente transcende tudo aquilo que abdiquei.
O tempo passa mais rápido, e como sabe bem ter todo o tempo do mundo mesmo que seja pouco.
Controvérsias à parte e o teu rasto desapareceu como quem perde o rebentar das ondas do mar.
Rasto que apago do meu corpo vezes sem conta sem qualquer tipo de arrependimento.
Hoje sou aquilo que nunca fui.
Porque, um caminho traçado sem ti, é uma página rasgada, emoldurada para que aquilo que sou, nunca se perca em distúrbios forçados.

Miguel Machado

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