A carta que não implora amor

Todos os dias quando acordo digo mentiras a mim própria. Digo que estava confusa, que fui precipitada, que estou bem e que afinal não era para ser. Mas é mentira. Todos os dias acordo com vontade de te ver, de dizer o quanto gosto de ti, de ir a correr e fazer uma declaração pedindo que voltes para mim, mas implorar por amor é algo que nunca vou fazer. Por isso, escrevo esta carta na esperança que a leias e que voltes para mim.
Tivemos momentos tão sinceros, daqueles que nos enchem e nos fazem transbordar de alegria, aqueles que nos colocam as lágrimas nos olhos, aqueles que são impossíveis de fingir. 
Mudaste de ideias do dia para a noite, num dia dizes que não sabes se gostar ainda é o suficiente para dizer o que sentes por mim, no outro dizes que estás confuso e que não sabes o que andas a fazer. Devia sentir raiva mas não sou capaz. Sinto um vazio, sinto tristeza e desilusão.
Pediste espaço e eu dei-to porque sei que não estavas bem. Sabes, gostar por vezes é deixar o outro ir para se encontrar. Quero dar-te espaço para perceberes o que queres e quem és mas é tão difícil para mim deixar isso acontecer porque dói constantemente.  Dói não falar contigo todos os dias, não ouvir as tuas palavras ou ver os teus olhos fixos nos meus. Sinto tanto a tua falta. Tenho saudades das tuas mãos nas minhas, dos teus lábios nos meus, da tua loucura e da minha.
É triste só saber que se quer quando se perde. É triste saber que, por vezes, gostar não chega.
Ficámos na linha entre o gostar e o amar. Quem me dera ter passado para o amar.
Estamos na linha entre o ficar e o deixar.
Eu quero ficar, e tu?
Por favor diz-me que queres ficar.

C.

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