Deixa-te de jogos

Não carregues no play.

Atitudes e opiniões. Tanta evolução, tanta recessão.

Neste filme que é a vida, nesta fita, há tantas personagens que seriam facilmente retiradas. Entram no filme, carregam no play e estão prontas a jogar. E lá estás tu na tua tranquilidade pouco habitual quase que a adivinhar o drama do filme, mais um drama no teu filme, na tua vida.

O início dessa curta até parece interessante, parece prometer e deixa tanto a desejar. Mas o desenrolar demonstra-se o contrário. É como se todas as personagens do filme mudassem, menos tu. Não percebes nada. Ficas em choque. Ficas sem reação. Na humilhação, no pouco amor-próprio. Só perguntas: Como?

Mas que raio de pergunta. Aquela pergunta a que ninguém tem resposta e até evitam ouvir.
Depois, é como quando se vê um filme muitas vezes ou se ouve inúmeras vezes a música favorita e se enjoa. A personagem que entrou, aquela que falei ao início torna-se um enjoo. Não para ti. É para os teus. Já enjoa de tanto aquilo, de tanto aquele. E tu entendes. É o tema tabu, o tema evitado. Porquê? Apenas porque é mais fácil não falar. Não enfrentar a realidade. Apenas silêncio.
Só que eu não sei o que é mais difícil. Se o silêncio da tal personagem ou o silêncio dos teus quanto ao personagem.
Também peço desculpa por ser tão direta no meu guião. Quando entro nos filmes dos outros digo o que sinto e sinto o que vivo. O meu discurso é sincero. Não tenho times nem limitações. Não jogo só porque sim. Não demoro mais tempo a responder a mensagem só para dar aquela de “desinteressada” e arrancar o teu interesse. Não escondo o que sinto dizendo que não gosto só para não me mostrar interessada a mais. Sim… porque atualmente é o que mais vejo.

Jogo. Play. Pause. Stop.
Mas que raio de gente é esta?

Deixem o comando, deixem os botões, os jogos. Deixem de entrar no filme das pessoas e depois sair só porque sim. Só porque há um filme mais interessante na sala ao lado. Só porque já tiveram prazer suficiente com essa pessoa. Entrem no filme de alguém porque querem mesmo entrar. Deixem-se de testes, do “ver se ainda resiste”, do “ainda gostas?”. Deixem-se desse tipo de realizações inúteis e pequenas.
No meu filme, já tive muitos personagens assim. Inúteis? Não. Aprende-se sempre com cada pessoa que entra na nossa vida. Talvez indesejáveis.

Se a realizadora sou eu porquê deixar que carreguem no play por mim?

-THE END-

Catarina Soares

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