A flor de um estranho

20 de abril, quinta à tarde, ela saiu para fotografar, já que tinha que mandar uma foto da sua cidade a uma exposição. Dessas que sai andando por aí, sem falar nada para ninguém, naquele dia saiu porque queria uma foto que causasse impacto. Então foi andando com olhos atentos a algo que chamasse atenção. Chegou na praça onde tirou belas fotos, já que era outono e tinham muitas folhas sobre o chão. Fotografou flores, a torre da igreja, e quando estava na grama como quem não quer nada, além de umas fotos, surge um cara com uma flor na mão, era uma camélia rosa.
Ele se aproxima e diz “Moça, te vi passando ali, te achei bonita, queria te dar essa flor. ” Ela aceita com um “Obrigado”. E ele segue com sua mochila nas costas, ela também segue, mas para o lado contrário, deixa a flor sobre um banco da praça, e continua seu caminho. Foi um ato gentil de um estranho, embora tivesse uma flor na mão esquerda e uma garrafa de cerveja na mão direita.
Lá estava eu olhando ela mesmo de longe, e não posso dizer que tive a mesma coragem do tal moço estranho. Pelo que percebi aos olhos dela ele não era interessante, mas mesmo assim ela foi gentil. Acho que provavelmente isso não vai acontecer novamente.
Já conheci garotas que nunca ganharam flores, posso dizer 90% delas, e não acho que é por causa de não terem namorado ou algo assim, talvez ela tenha sido dessas, até aquele dia, só que se agora lhe perguntarem se já ganhou flores, imagino que ela vai dizer “ Ganhei uma flor de um estranho, e até hoje nenhum conhecido ou amigo foi tão gentil. ”

Angélica Muraro

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