Chega de finais quase felizes

O tempo tem estado frio. Mas está ainda mais frio dentro das pessoas, poucos são os que valorizam o companheirismo e os afectos, parece que a nossa sociedade nos encaminha para um rumo de finais 'quase felizes', onde só nos cruzamos com pessoas que parece que a cada minuto estão à procura de encontrar algo melhor e com a desculpa na ponta da língua caso isso aconteça. Já poucos se preocupam realmente em ficar em algum lugar ou fazem questão de permanecer, como fizeram questão de obter. Chega a um ponto que vamos aceitando naturalmente o vaivém de pessoas, que parecem foguetões, aterram nas  novas vidas com todo o impacto e partem à velocidade da luz deixando um rastro de fumo que primeiro incomoda (e dói) e depois vai sumindo nos céus... Não significa que concordamos ou achamos correcto, apenas temos que nos habituar a lidar com a frieza, focar-nos em outros campos da nossa vida, cultivar o nosso intelecto e a nossa vida com boas condições e, manter secretamente a esperança que algum dia tenhamos a sorte de encontrar alguém que pense  da mesma maneira que nós, sem fingimentos nem teatros, que nos ame com o nosso mau feitio matinal ou na nossa euforia ao fim de semana, que não se aborreça nos dias mornos e que, acima de tudo, nos aqueça com o calor do seu coração.

Daniela Ramos

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