Eu não sei.

Eu não sei.
Sei que te quero. Mas sei que te quero em termos certos, não em idas e voltas, que nem as ondas do mar podem ou conseguem entender. Disseste que não me querias, não nos meus termos e, não sendo nos meus termos, neguei-te a minha entrega.
E acredita que o que eu mais queria no mundo era ser tua. A tempo inteiro.
Queria ser tua de manhã à noite.
Queria ser tua, para que tu pudesses voltar para mim no final de um dia cansativo e fora das tuas possibilidades de o aguentar, 100% firme.
Queria ser tua nos dias de frio, para te aquecer os pés durante a noite.
Queria ser tua...
Mas nos teus termos nada disso é possível.
E eu sei que tu me queres.
Queres que eu seja tua no final da noite apenas.
Queres que seja tua, talvez, a meio da madrugada.
Queres que seja tua nos intervalos.
E tu nunca és meu.
E no fundo era o que eu mais queria que tu quisesses.
Queria que tu quisesses ser meu, a ponto de correres para mim quando estivesses bem.
Queria que tu quisesses ser meu, a ponto de correres para mim quando estivesses mal.
Queria que tu quisesses ser meu.
Queria que tu quisesses ser meu a ponto de me considerares como tua, realmente tua.
Mas nos teus termos nada disso é possível. Nos teus termos, tu estás fechado num casulo que tu próprio criaste e onde não deixas ninguém entrar. E eu queria tanto entrar...
Mas no final de tudo, eu estou aqui e tu aí.
Eu não sou tua e tu não és meu. Não és, nem serás. Porque vês-me como mais uma quando eu te vejo como a minha maior e melhor possibilidade de ser feliz.
No final de tudo não estou bem ciente do que eu quero, assim como não estou bem ciente daquilo que tu queres.
Mas no final de tudo, estou bem ciente daquilo que eu não quero.
Porque no final de tudo tu esperas que eu seja tua, na tua cama e eu... eu quero que tu sejas meu, na minha vida. A única pessoa na minha vida.
Mas eu não sou tua e tu não és meu, porque eu neguei-me a ti. Neguei-me a ti porque antes de pensar nas tuas necessidades tive que pensar em mim. Porque na minha vida eu sou mais importante e, se eu aceitasse ser tua, tu não me terias a mim própria. Terias alguém que cedeu por medo de perder as migalhas que recebia. Terias alguém que poderia parecer eu, mas no fundo apenas era a minha casca.
Porque no final de tudo, a vida é mais complicada do que o mar. Pelo menos o mar sabe de onde sai e onde terá que voltar.
E agora, eu gostava de voltar para ti. Sentir o teu abraço terno, mas enganador. O teu abraço cheio de migalhas que alimentam a minha esperança de te conseguir ter, realmente ter, um dia. O teu abraço que, sendo tão errado, parece tão certo.
Porque no fundo eu já sou tua. E eu sei que o sou. Só não posso deixar que tu o saibas.
No final de tudo decidi fazer como o mar. Decidi sair, na esperança de que, um dia, tenha plena consciência de onde posso e tenho de voltar.
Catarina Reis

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