Uns vão para que outros possam vir e ficar

Um dia olhas-te. No outro tapas o teu reflexo no espelho. Um dia lembras-te. No outro esqueces-te. Um dia choras. No outro sorris. Um dia ficas sem forças, no outro lutas até não poderes mais. Hoje criticas, amanhã és criticado. Preocupas-te com o que os outros pensam acerca de ti, mas os outros estão-se a danar para as figuras que fazem e ridicularizam-te até estares desfeito no chão. O sol pode brilhar, mas em breve a chuva chegará. Vives com medo. O medo vive em ti. Estás rodeada de gente sem fim. Cais do precipício e todo o mundo desaparece. Tens pessoas do teu lado, mas quando realmente precisas de alento olhas à volta e estás completamente sozinha, acompanhada de ti própria. Amas-te agora, mas mais logo já odeias o que a tua imagem faz parecer. Crias laços que muito para além do que tu imaginas, não resistem sequer a um trovão. Calas o silêncio da tua voz, mas na verdade há gritos por trás de ti que te acovardam a falar por eles, mas no fim de contas, quem se lixa és tu. Tanta gente que te aplaude quando falas bem, te expões ou opinas com veracidade, mas depois na primeira oportunidade já estão na esquina a apunhalar-te com tanta raiva, como se lhes fosses ódio impregnado à alma. Mudas de vida. Poucos te acompanham. Não mudas. Os outros mudam por ti. E tu parva como sempre acompanha-los. As tuas mãos estão sempre prontas a limpar no rosto as lágrimas dos que choram, mas são nenhuns aqueles que te passam a mão na cara quando são as tuas lágrimas a cair. Até podem existir muitas pessoas, 'n' amigos que tu consideras... Mas em determinadas alturas percebes que poucos são os que te acompanham, poucos são os que ficam do teu lado e poucos são os que com certeza irão permanecer na tua vida! Mas nada é em ao acaso. Uns vão para que outros possam vir e ficar!
RP

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