Vive por ti, e não pelos outros.

Desde nova que sempre senti a pressão descarada da sociedade em ter que escolher um caminho para a minha vida. Isto porque precisamos ser alguém - como se já não o fossemos, não é? E com 18 anos vejo-me obrigada a escolher entre falhar ou alcançar. Desculpa, mas ninguém precisa saber o que quer fazer da vida aos 18 anos de idade. Nem aos 30, nem aos 40. Se achas que é assim que as coisas deveriam de acontecer, não acredites nisso.

Cada um demora o seu tempo até descobrir a sua vocação (ou vocações)... Sim! Não tem nada de errado em querer ser muitas coisas! E é muito triste ter que enfrentar essa pressa ofegante para encontrar o meu eu. A única pressão que deveríamos ter era a de amarmo-nos a nós mesmos. Onde não existe competição e não precisamos fingir ser algo que não somos.

E não tem mal nenhum se ainda não te descobriste. Eu também não, e talvez não o consiga tão cedo. Por isso escolhi ir atrás dos meus sonhos, das pequenas realizações, daquilo que me faz feliz. Acredito que sou a melhor versão de mim mesma quando estou a fazer aquilo que gosto: seja a cuidar de crianças, a escrever, a costurar, a criar, a fazer tudo isso ao mesmo tempo ou a planear fazer tantas outras coisas. Só assim posso ser quem realmente sou.

Não fui feita para trilhar um só caminho, se assim fosse teria raízes no lugar dos meus pés. E cada vez mais acredito que ainda tem muita coisa boa guardada para acontecer na minha vida... Na tua também! Já paraste para pensar que os teus melhores dias podem estar prestes a bater à porta? Vou mais longe ainda: se não houvesse outra vida, achas que esta a viveste?

Já paraste para pensar na quantidade de coisas que podes gostar, mas que não sabes porque nunca experimentaste? Naquilo que o mundo pode te oferecer além das quatro paredes do trabalho, das pessoas com mentes anoréxicas que te dão encontrões na rua e não te pedem desculpa, no trânsito obeso que te distancia do calor da tua casa e do tempo que passas esmagado(a) nos transportes para repetires cansado(a) tudo de novo?

A verdade é que o mundo não é só isso e tu não tens que ser só mais um(a) nesse desconhecido. O importante é fazeres da tua rotina a escada para ires atrás dessas pessoas maravilhosas que ainda não conheces e que te farão corrigir em ti aquilo que não gostas nos outros. Para encontrares a tua comida preferida que ainda não provaste. Para respirares outras realidades. Para te desprenderes desse dia-a-dia que te sufoca. Agarra na maior mochila que tens lá em casa e descobre-te nos lugares que ainda não viste. É essa mesma mochila que vais encher de lembranças e de todas as peças que te faltam para completares o puzzle da tua felicidade.

Por que, no final, não precisas de muito mais para viveres. Ao invés do dinheiro, são todas essas memórias e amor que partilhas e conquistas nos quatro cantos do mundo, a começar por ti, que vais carregar contigo depois da morte.

Por isso, faz valer a pena: coloca o coração no mundo sem medo das alturas e procura aquele frio na barriga que há tanto anseias. Faz isso, porque quando voltares, tudo estará igual - menos tu! E ainda bem.
Chez moi chez nous

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