Vou-te contar um segredo

Vou-te contar um segredo e quero que o guardes bem junto do teu coração. Eu gosto de ti. Sim, ouviste bem. Não sei bem como comecei a olhar para ti dessa maneira, mas lembro-me que usavas aquele perfume que tinha visto na minha loja preferida e sorrias com toda a sinceridade do mundo.

Entre olhares envergonhados e silêncios reparei que eras tu, eras tu que estavas à minha frente e era contigo que queria ver todos os por-do-sol. Senti que o mundo por momentos tinha parado. Pela primeira vez senti aquelas borboletinhas no estômago de que os outros falam. Os outros que provavelmente já amaram. Mas eu até àquele dia, não fazia ideia do que era amar.

Não fazia ideia que eras tu aquela pessoa que me ia fazer rir sem que eu pedisse e que me ia olhar intensamente sem que eu reparasse. Eu ia corar vezes sem conta porque me ias dizer palavras bonitas. Adoro ouvir a tua voz apesar de nunca te ter dito. Não gosto de falar destas coisas, deixam-me nervosa. Mas gosto de saber que gostas de mim.

No dia em que te conheci lembro-me que chovia. E eu olhava, envergonhada, com uma mecha de cabelo á frente dos olhos, pela janela, na esperança de ver o teu reflexo e poder sorrir-te sem medos. E tu retribuías, quando eu tirava os olhos da janela e eles sem querer se cruzavam com os teus.

Sou incapaz de te fazer feliz e sei que provavelmente nunca te farei. O amor é que me pregou uma partida e por mais que tente, és tu que me vens á cabeça a todo o momento. Não consigo controlar isso.

Lamento por não ser aquela pessoa com que sempre sonhaste e principalmente por não me entregar a ti da maneira que merecias. Por não ser capaz de olhar para ti e sorrir-te com a mesma sinceridade com que me sorriste pela primeira vez. Por não te fazer surpresas e ligar-te a dizer "gosto muito de ti". Por não te dar a mão na rua mesmo sabendo o quão isso é importante para ti. Por não te convidar para sair e ficarmos a olhar as estrelas em cima do capô do teu carro. Por não te transmitir conforto quando tudo o que precisas é de um abraço. Por não te dar carinho. Por não viver ao teu lado.

Sim, eu sou a pessoa mais fria e distante que provavelmente vais conhecer e quero pedir-te desculpa por não te ligar á meia noite para te dizer a falta que me fizeste durante o dia longo de trabalho. Não sou suficientemente amável para o fazer. Sei que não me vou esforçar o suficiente para te dar toda a minha atenção, mas vou fazer tudo para continuares a ser aquele rapaz que me olhava com a atenção de uma criança enquanto vê os desenhos animados.
Catarina Lopes

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É, perdeste-a.