Escrevo-te sem saber porque te escrevo

Escrevo-te sem saber porque te escrevo. E começa assim. Já disparado, sem título sem nada. A saudade é tanta que não consigo parar. Porque parar não é morrer: é pior. E existe tanto que ficou por dizer, tanto que ficou por conversar, por amar. A verdade é que sinto a tua falta. Sinto como se tivesses ido e nunca mais voltado. Tu sabes que eu já não sou homem nenhum e imagino que tu também já não és a mulher de todas as palavras. Só eramos inteiros juntos. Agora separados, não somos nada. Somos apenas a prova de que o amor não existe. Somos a prova de que o amor mata. E se mata meu amor… E se mata.
Espero-te mas ao mesmo tempo já não espero nada. Estou magoado, ferido, tenho medo que um dia vás de uma vez e nunca mais voltes.
Escrevo-te na esperança de um dia retornar a viver. Voltar a sentir-me feliz, amado, completo. Completo contigo, completo com eles ao nosso lado.
Escrevo-te (já com as minhas mãos trémulas), como se sentissem o meu coração sem saber ao certo as palavras certas.
Existe ainda tanto que podemos construir. Não percas a esperança.
Existe ainda tanto que podemos amar. Não percas a esperança.
Existe ainda tanto que podemos viver. Juntos. Por favor, não percas a esperança.
Ela esteve sempre, este tempo todo, aqui comigo.
Juntos esperamos por ti.
Até que a morte não nos separe.
Prometo.

"Se te faz feliz", de Patrícia Fonseca.



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