Queria que me amasses do jeito que a amas


Queria que me amasses do jeito que a amas.

Não sei como ou o porque mas sempre que a vejo, vejo-a feliz. Sempre. Até mesmo nos dias cinzentos, onde o cansaço é notável ao olhar de cada um, ela consegue iluminar cada esquina.

Queria que me amasses do jeito que a amas.

Não sei o que fazes, nem como o fazes mas queria um dia sentir-me novamente assim. Nem que fosse um segundo, um único segundo a sentir-me completa. Completa por ti, pelos teus braços. Só é realmente amor quando se inventa um abraço. Mais abraço do que o abraço anterior. Confesso que outros já tentaram preencher este vazio, amar o que por cá ficou, o que por cá ainda fica diariamente. Outros já tentaram cobrir esta inocência que é o meu corpo.

Mas eu já não consigo amar, como amar tem de ser e como amar só pode ser. Já não me entrego como mulher que sou, já não prometo como mulher que me tornei.

E tudo isto, tudo isto desculpa-me dizer-te: devido aos teus braços.

Se não fossem eles nada disto seria amor. Se não fossem eles nada disto seria real. Mas é! E muito, (se queres que te diga).

O que sinto por ti é real, esta obsessão pelo teu corpo, pelo teu cheiro passou a ser diária. Imagino como seria se estivesses aqui. Tento corrigir este pensamento mas acabo por ir sempre ao encontro dos teus braços.

Por mais que faça, por mais que não queira eles continuam na minha memória, no meu corpo. Lembro-me da tua voz a dizer: "amo-te Joana", e tudo desaparece tão rapidamente.

E o pior de tudo não é esta incerteza constante, não são as lágrimas a cada manhã vazia.

O pior de tudo é chorar sozinha, as nossas lágrimas e ninguém com elas. E o pior de tudo nem é chorar, é relembrar-me constantemente dos teus braços para amar e eu não me chamar Joana, claro.

Patrícia Fonseca

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